Espetáculos grotescos, atos desumanos, gente no lodo

Acabo de falar em mídia e jornalismo e me aparece o Geraldo Luis, do programa Balanço Geral, da TV Record, a mostrar um homem considerado morto pelo INSS há 10 anos. Esse homem (Paulo), estaria aposentado por um problema que o tornou inválido como trabalhador. Por algum motivo (incompetência e desrespeito para com o cidadão), o INSS o considerou como morto. Um juiz reconheceu que o INSS errou, e determinou que Paulo seja ressarcido.
 
Somente após a Record mostrar interesse pela história de Paulo é que o INSS resolveu pagar os benefícios cabíveis. Em contraponto, Geraldo Luis propagandeou a força dessa emissora e sua atuação junto ao povo mais humilde. Enquanto isso, o homem chorava e dizia que perdera sua dignidade. Um espetáculo grotesco, para não falar desumano. Tão desumano quanto a ação do INSS junto aos cidadãos brasileiros.
 
De qualquer forma, um caso (entre milhares de outros) foi resolvido. Será que a TV Record irá a fundo, mostrando os milhares de casos em que pessoas são colocadas no lodo pela ação incompetente e desumana do INSS? Não. O espetáculo já findou-se. Qualquer um que vá ou Instituto Nacional de Seguridade Social poderá presenciar as ações de desrespeito para com pessoas que precisam dos benefícios que um Estado forte pode e deve conceder. Milhares de outros casos ficarão nas pastas de produtores de tv, esperando o melhor momento de mostrar mais um caso (caos), dando a impressão de ser um fato isolado.
 
Em tempo: enquanto isso, as leis para democratização da comunicação, os pedidos para concessão de rádios e tevês comunitárias, entopem gavetas de juizes por todo o Brasil. Não só por incompetência de quem faz leis que rastejam ao invés de correr, mas por pressões de grupos como Globo, Bandeirmentes, Record etc, que temem perder espaço para quem pode fazer a diferença. Precisamos de mais Brasil, de mais cidadania, e menos palavrório e retórica cínicas de governantes.
 
 

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