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Quantos likes vale a sua privacidade?

Poucas horas após implantar o sistema, a Urbes (Sorocaba) já multou mais de 30 motoristas infratores, por meio de videomonitoramento. As câmeras são potentes e conseguem gravar o que acontece dentro do carro em resolução altíssima.

A questão aqui poderia ser as multas. Mas não é. Está longe de ser, na verdade.

Não vou citar o clássico 1984, de George Orwell. Todo mundo conhece.

Fato é que vivemos em uma sociedade vigiada. Não só por câmeras cada vez mais espalhadas por todos os lados, mas por satélites com imagens de altíssima definição também (hoje usados para "vigiar" locais e pessoas específicas, ligadas ao terrorismo).

A Secretaria de Segurança Pública de SP está utilizando um software (na verdade, um sistema, o Detecta) que coleta imagens de câmeras do Governo do Estado, das concessionárias de rodovias e de dezenas de município, joga tudo em um enorme banco de dados e faz análises para identificar crimes. Está em fase de testes um sistema que, por meio do &qu…

Jornamarkting: o futuro do jornalismo

Sou especialista em marketing digital, especialmente em inbound marketing. Sei escrever o que as pessoas querem ler, e fazer um post ter milhares de acessos. Tenho lido manifestações entusiasmadas de colegas da comunicação sobre o potencial do jornalismo para o inbound marketing.
E esse potencial é grande. Enorme. Contudo....
A cada dia mais, os veículos buscam (como sempre buscaram, na verdade) tratar dos assuntos de interesse dos leitores. Enquanto antes de "supunha" que tal coisa seria de interesse e passível de virar matéria, hoje se "sabe" o que é de interesse de fato. Em números.
Aí reside o problema.
A busca por quantidade de acessos pode direcionar os esforços de um veículo para cobrir justamente o que os leitores querem, o que eles acessam, enfim.
O Facebook é como uma enorme piscina de bolinhas, onde cada bolinha é a "bolha" em que as pessoas vivem. Cada bolha tem seus assuntos, seus temas de interesse, e "furar" o bloqueio da bolha e mostr…

Ande e faça seu caminho

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Olhe para trás.

Não se assuste ao perceber apenas os seus passos claudicantes marcando a areia.

Ninguém o levará nos braços. Poucos andarão ao teu lado, e logo os caminhantes seguirão direções distintas, talvez opostas.

A jornada de cada homem é apenas dele, e querer compartilhá-la com outrem na procura de consolo, é apenas os restos da meninice que clamam por um Pai.

Há mais caminho para a frente? Então ande.

Se responsabilizar por cada passo é, acima de tudo, um ato de coragem.



Os abismos foram soterrados pelo esquecimento

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Não se preocupe. Depois de um tempo, você poderá olhar novamente para o abismo que hoje parece intransponível, e perceber que ele fica menor dia a dia.

Não fosse assim, a vida, essa sucessão de infortúnios e dor, seria insuportável.

O passar inexorável do tempo tem essa vantagem: dá uma noção mais exata sobre a real dimensão e importância dos fenômenos da vida.

Salpicar a existência com momentos de alegria aqui e acolá é um bônus que recebemos de nós mesmos.

Podemos nos contentar com isso, por enquanto.




A mão amada

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Sentiu pousar delicadamente a mão em seu ombro esquerdo. E amou-a.
Amou-a tão profundamente como o amante ama a amada, diante da morte certa, na guerra sangrenta.
A mão em seu ombro esquerdo, tão leve, tão delicada, tão gentil, fê-lo sentir-se amado também.
E imaginou destinos idílicos, sensações impensadas até então, beijos longos e deliciosos.
Fria, a mão também - de fato - o amou, naquele instante de poucos segundos.
Como pode amor tão forte nascer de toque tão leve?
"Só pode ser amor de verdade", pensou ele, que não amara nenhuma moça do vilarejo distante, nem da cidade de agora.
Um veleiro no Atlântico, vislumbrava o rapaz, seria testemunha única das paixões desses dois querentes. Ele, o veleiro fino e longo, e o céu azul, por testemunhas. Mais ninguém.
Viveriam de quê? Que importava?, pergunta tola, no real fundada.
Aquele instante era o início de tudo, aquele toque sutil, de amada que acorda o amante no leito nupcial.
Então virou-se. E viu.
A mão da Ceifeira, longa, branca e del…

Ele, o fim

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Noite. O canto ressoa, entre tropeços. Perambula terra a fora, entoando a velha canção: "Marujo bom, marujo ao mar, marujo em terra, em braços de mulher..." Na memória, tempos idos. No coração... que coração? Já não tem mais. Corujas piam e espiam a figura esguia entre névoas. "Skish, skish, skish". Os sapatos velhos duetam com o chão de pedra polida. O branco embaçou o azul dos olhos. Logo não vai mais poder cantar. Não vai mais poder andar. Ele é só um defunto, esquecido. Anda de lado a outro na noite, quando ninguém o vê. Os ossos falam na língua da dor. Lembra-se ainda do velho barco, que espera nalgum porto. Ao longo, janelinhas amarelas, com luzes e calor. Gente cantando. Gente brigando. Gente ignorando. O Sol vai nascer e ele voltará para o túmulo. A garganta ressequida aguarda (em vão!) o rum. O mar foi sua casa, onde queria ter morrido. Morreu em boteco. Foi arrastado pra cova rasa. Acordou um dia, depois do porre, apodrecendo. Faz sua última reza antes de dormir. O dia vai ra…

Sós

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Reprimendas! Dão-nos às mãos cheias!
É isso o que temos todo o tempo.
Não palavras fáceis, de literal gozo.
Mas reprimendas.
Que fazem sentir-nos fracos,
alcoolizados. Químicos.
Reprimendas.
E assim nos sentimos,
vis e humanos.
Sentimo-nos enfim,
sós.