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Mostrando postagens de Fevereiro, 2009

O preço de sermos como somos

Da Folha de S. Paulo: Governo proíbe novos canais de TV digital O governo federal editou ontem norma que proíbe as redes comerciais e as emissoras públicas estaduais de emitirem multiprogramação em suas frequências digitais. Isso impede que um canal digital seja dividido em quatro, sem perda de qualidade dos sinais, uma das vantagens da nova tecnologia.
O ato, assinado pelo ministro Hélio Costa (Comunicações), atende a interesses das grandes redes privadas, que não querem a concorrência de novos canais. Mas prejudica grupos como o Abril, que pretendia transmitir os canais Fiz e Ideal, hoje só na TV paga, nas frequências abertas da MTV.
A norma 001/2009 também impede que a TV Cultura leve adiante projeto de uma universidade virtual paulista. O documento estabelece que "a multiprogramação somente poderá ser realizada nos canais [...] consignados a órgãos e entidades integrantes dos poderes da União". Ou seja, apenas TV Brasil, TV Senado, TV Câmara e TV Justiça poderão…

A infame "Ditadura" da Folha de S. Paulo

A sábia Folha de S. Paulo resolveu entornar a cuia com o caldo da imbecilidade direto na goela. A cada dia, ganha mais visibilidade o manifesto de apoio aos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato, que, sob a ótica divina e infalível do infame panfleto do Frias, são cínicos e mentirosos: "Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa". Os debates se iniciaram com um editorial que utilizava um neologismo, "ditabranda", para designar a ditadura que assaltou e massacrou o Brasil entre 1964 e 1985. Eis como os agredidos se manifestaram na edição de hoje da FSP: D…

Quem tudo quer... vira Roberto Justus também

Tadinho do Milton Neves. O malvado do Roberto Justus (o topete mais insuportável da televisão) convenceu ele a abandonar um programa na Record e depois deixou o cabeçudo a ver navios. A promessa era de que Milton teria dois programas na Band. As negociações entre a empresa Brainers, do Justus e de um Laranja, com a Band, naufragaram, e O Cabeçudo ficou boiando na água fria. Pelo jeito Milton não pensou em medir a temperatura do negócio antes de se jogar de peito nele. Pura ganância, diga-se. Agora, com o casco avariado, Milton tenta uma indenização de R$ 62,8 milhões de Justus e do Laranja, um tiro de canhão para por a pique qualquer embarcação. Coitado é do Laranja, que defende Justus e vai afundar sozinho, caso a justiça dê ganho de causa a Milton Neves. Uma sugestão, Sr. Cabeça: deixe o panaca do Laraja fora da jogada, diminua alguns zeros dessa indenização e faça um acordo: que Justus pregue um nariz de palhaço na cara e desista do infame "O Aprendiz".

Blogar emagrece?

Abro a Folha de S. Paulo, caderno Equilíbrio, e vejo o mais insinuante dos títulos: "Blogueiros que perderam mais peso são os mais visitados". De imediato me arrumo na poltrona, lambo os lábios e sigo a receita do texto.... e descubro que não basta deixar o pote com torresminhos de lado e pronto, ulalá, o marcador de visitas fica louco, rodando. Confesso que o título me deixou intrigado: como perder peso faz aumentar a visitação? A lógica, implacável, me sussurrou: "devem ser blogs de pessoas que compartilham suas experiências dietéticas na web, evidente, meu caro!". E foi isso mesmo, são blogs de pessoas que decidiram perder peso e montaram um blog-diário, onde contam suas experiências. Não sei qual o sentimento que essa "terapia" desperta no blogueiro e nos leitores, mas em mim foi de frustração. Mas a culpa é do título da matéria, não da "terapia" em si, se é que isso é uma terapia. Tem o link de um blog na matéria, o "Meu emag…

Foi assim

Foi assimQue te viTe sentiTe perdiE tão sóEu fiquei!Assim mesmoNo tempo paradoOlhando o passadoPerdido, lembradoPor todos, mas nãoPor você!Lá foraRuas vaziasMe lembro, dizias:"Para onde tu ias?""Que importa? Eu a encontrei,Aqui vou ficar".E agora?Eu lembro! Você vive!Você está! Eu estive!Que a vida de amor me prive!Mas não permitaMe esquecer de você.De quando o SolAlto brilhava!De quando o tempo esperava!De quando o mundo rodava.De tudo issoSem sentido, sem você.

Angústia por um momento

Ela estava lá novamente. No mesmo canto em que estivera tempo atrás. Mas agora me fitava. Não como da outra vez que a vi, quando a inocência estava em meus olhos e ela não esperava ser vista. Agora eu sei. Sei quem é. Sei o que veio fazer aqui. Que frio, céus! Cadê o calor prometido? A voz, a mesma cantiga da meninice agora paira sobre mim. Ah, faz tanto tempo! Tanto tempo, quando havia calor (O que digo, sou tão jovem!). Mas agora, esse frio... ela ainda me olha. Não vejo nada nem ninguém. Somente nuvem embaçada. E ela. De onde vem tanto frio? O que estou mesmo fazendo aqui? Eu estava, ainda há pouco, em campo tão belo! Como vim parar aqui? Quem me trouxe para esse quarto? Esses lençóis sobre mim não dão conta do frio que sinto. E o tempo, cadê o tempo? Sumiu? Impossível! Como? Não, não estou com febre, estou bem, só sinto frio. Preciso de um relógio, o tempo me espera. Vou fechar meus olhos, preciso dormir. Ela que faça o que tiver de ser feito. Como já fez? E a promess…

Defeito no Blogspot e fim do Puragoiaba

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Hoje abri meu navegador e, logo de cara, encontro este blog "Esvaziado", sem uma única postagem, tal qual quando o inaugurei. Furioso, já pensei em todas as hipóteses: desde um erro de navegador (o leme quebrado, ou uma vela meio torcida por causa de um tsunami chamado incompetência tecnológica) até as mais delirantes teorias da conspiração. De volta à racionalidade, dei-me conta de que esse blog não faz disparar a luz vermelha da cabeceira da cama do Barack Obama (talvez só do Agripino Maia mesmo), e descartei uma ação mais ousada da Cia contra mim, para calar-me. Acho que foi só um erro das empresas "Google" mesmo. Então, lá vai essa nota de esclarecimento a você, leitor: esse blog continua a todo vapor. Se você conseguiu ler essa mensagem, quer dizer que eu ainda estou vivo.

Por outro lado, tristemente dei-me conta do final do blog do Rui Goiaba, linkado ai embaixo. E acabou faz tempo: no dia 06 de novembro de 2008!!! Confesso que não andei visitando o Rui nesses…

O mito da caverna interpretado por Marilena Chauí

Imaginemos uma caverna separada do mundo externo por um alto muro. Entre o muro e o chão da caverna há uma fresta por onde passa um fino feixe de luz exterior, deixando a caverna na obscuridade quase completa. Desde o nascimento, geração após geração, seres humanos encontram-se ali, de costas para a entrada, acorrentados sem poder mover a cabeça nem locomover-se, forçados a olhar apenas a parede do fundo, vivendo sem nunca ter visto o mundo exterior nem a luz do Sol, sem jamais ter efetivamente visto uns aos outros nem a si mesmos, mas apenas sombras dos outros e de si mesmos porque estão no escuro e imobilizados. Abaixo do muro, do lado de dentro da caverna, há um fogo que ilumina vagamente o interior sombrio e faz com que as coisas que se passam do lado de fora sejam pro­jetadas como sombras nas paredes do fundo da caver­na. Do lado de fora, pessoas passam conversando e car­regando nos ombros figuras ou imagens de homens, mulheres e animais cujas sombras também são proje…

Imparciais versus Petistas

Marcelo Salles escreve um ótimo artigo sobre a opção que o jornalista faz, voluntariamente ou não, ao assumir sua postura profissional. Uma reflexão interessante, que passa longe dos cérebro-braçais da nossa incompreendida "grande imprensa". Vejamos: "pode-se dizer sem medo de errar que todo jornalista abraça uma causa, tanto os que escolhem militar num partido político, ONG ou movimento social, quanto aqueles que suam a blusinha para ingressar numa das poucas corporações de mídia. A diferença é o que cada um defende", afirma Marcelo em seu artigo. Vamos dar uma olhadinha (evito o termo "espiada", por causa do maior jornalista de todos os tempos que nos deu a honra de nascer em nosso pobre Brasil, o magnífico Bial) no fórum do Comunique-se , onde tudo fica infantilmente dividido entre "Petistas" e "Imparciais". Não nos enganemos: o lado de quem escolhe a postura não-reflexiva ao postar-se dentro da grande imprensa escolhe, neg…

Dossiê Literatura Russa do Séc. XIX - Imperdível

Certamente o amigo leitor já deu uma olhada na edição do mês da revista Cult. Se não deu, sugiro que corra até a banca mais próxima. Dostoiévsk, Gogol, Tchekhov e Tolstói dão as caras esse mês. No site da Cult há uma breve demonstração do dossiê Literatura Russa do Século XIX. E trata justamente de Tolstói, do post abaixo... Tolstói: a literatura que não é literatura
Em conflito permanente com a sua arte, Tolstói nos mostra como o nexo inevitável entre literatura e vida social pode se transformar numa vantagem artística Nos 60 anos que vão do início da década de 1850 até 1910, data de sua morte, Liev Tolstói sempre escreveu contos e romances. Ao contrário do que se repete tantas vezes, Tolstói jamais parou de escrever ficção e, ao morrer, deixou inéditas ou em andamento obras-primas como Hadji-Murat ou Padre Sérgio. O mal-entendido resulta, em grande parte, das objeções que o próprio Tolstói, desde jovem, levantou contra a atividade e contra o papel de um escritor no quadro …

"Khadji Murat" e o brilho de Tolstoi

Poucas histórias me deram uma sensação tão forte de soco no estômago quanto "Khadji Murat", de Leo Tolstoi. Mais precisamente o capítulo xxiv, quando meu bom estômago quase me fez curvar. Uma narrativa impressionante, ricamente detalhada, onde até o mais insignificante personagem, como um cocheiro que aparece uma vez só e abrindo uma porta, ganha nome.Trata-se de uma obra a tal ponto gloriosa que sopra ares de poema épico. "Khadji Murat", nome da novela e do personagem principal, passe-se no Cáucaso, onde Tolstoi serviu em um regimento de linha, após formar-se na Universidade de Kazan. A história é ambientada nessa região, em fins de 1851. No romance de Tolstoi, não há herói ou vilão. Todos parecem igualmente culpados e igualmente inocentes, enquanto Murat trava sua batalha contra sua própria natureza e seu grande dilema: aliar-se aos russos para libertar sua família, ou voltar para junto do detestável Schamil, que mantém refém sua mulher, mãe e seu am…

Ações iguais, objetivos iguais, coberturas diferentes

Taí, José Serra lança PAC para São Paulo, estado fortemente atingido pela crise econômica (e moral) mundial. Iniciativa louvável e necessária para combater o problema. Infelizmente, não será o suficiente. Primeiro, seria necessário mudar a mentalidade e o caráter do grande empresariado paulista e mundial. Por enquanto, Serra luta com Aécio Neves pela vaga a candidato à Presidência da República. Essa ação do governo paulista está, sem dúvida, fortalecendo a imagem de Serra e fazendo-o ganhar terreno nessa disputa interna. O PAC de Serra tem, como um dos objetivos, mostrá-lo eficiente no combate à crise e fortalecer sua imagem como grande administrador, o que, certamente, o gabarita para disputar as eleições presidenciais. Evidentemente, esse não é o objetivo mais importante da ação do governador, e sim o fato dessa ação procurar gerar mais confiança no empresariado e reduzir a velocidade das demissões (não acho que vai acabar com elas, afinal o problema não é só econômico). …

Ele completa 50 anos, bebe e todos aplaudem feito palhaços

Bem, eu ia comentar sobre os 50 anos que o Zeca Pagodinho comemorou ontem. Mas logo que abro um site (G1), encontro uma foto do homem com um copo de cerveja, e a legenda (ah, esses textinhos sem criatividade!!!): "Zeca Pagodinho faz 50 anos com samba e copo". Pergunto eu, afinal: quando esse senhor e a mídia refletirão sobre o papel trágico que vêem desempenhando diante da população, dando visibilidade, fôlego e glamour para os cervejeiros? Será uma contradição explorar a imagem de um artista bem sucedido enchendo a cara e depois falar em "beber com moderação"? São, de fato, os jovens "bebedores desenfreados", como críticos afirmam? Se são, por quê? Acho que esses senhores de malas recheadas de grana deveriam rever suas atuações, se não querem parecer, no mínimo, contraditórios - para não dizer completamente irresponsáveis (para mim são isso, e só isso). Mas acho que eles não se preocupam com um julgamento desses! Afinal, o cervejeiro em quest…

Agripino Maia para Presidente? Ou Dilma? Ou...

Se isso não fosse uma democracia seria uma piada. Pois o Senhor Senador Agripino Maia, do Demo, não deu uma declaração ao jornal do SBT, dizendo estranhar o gesto de Lula, que resolveu, "do nada", beneficiar municípios brasileiros com ampliação de prazo para pagar dívidas e tal!!? Pois é, e justamente quando falta "só" 1 ano e meio para a próxima eleição à Presidência da República. Se o Presidente não toma nenhuma atitude ante a crise econômica mundial, que estourou há pouco tempo, ele é um relapso. Se toma alguma atitude, ele quer lançar Dilma Rousseff à candidatura de mandatária suprema da nação. Estaria o Senador Demo Agripino com mania de conspiração? Ou a manifestação dele é pura retórica? Ou ele simplesmente conseguiu ver o óbvio? Se bem me lembro, FHC também tentou fazer um sucessor. Serra apareceu mais na tevê como Ministro da Saúde do que o próprio Presidente. Bem, Serra, somo se sabe, perdeu a eleição. Nada mais natural que um Presidente tente fa…

Culpada

Eles colocaram uma caixa sobre a mesa. Trêmulas, chamas de velas amareladas tentavam vencer a noite escura. Alguém abriu a caixa, e dali tirou o mundo. A dor do parto não foi sentida, mas uma lágrima derramada umedeceu e esfriou o chão. Então brotamos nós. Os jogadores esqueceram a caixa, vazia. Jogam cartas, enquanto o mundo rola no chão escuro. Ninguém mais se lembra dele. A criada traz mais vinho. Enxuga o rosto lívido e molhado. Se pergunta o que será dela, que destruiu o brinquedo do seu amo.

Um formidável momento de reflexão

Formidável o ato de protesto hoje, bem em frente ao Clube Sorocabano, Praça da Matriz, centrão de Sorocaba. Um caminhão de som com uma dúzia de sindicalistas fazia sua peregrinação contra a crise econômica mundial, "que ainda não atingiu em cheio o Brasil", como disseram. Bem, foram poucas as pessoas (meu chutômetro contou umas 200) que tiveram a possibilidade de ouvir uma nova manifestação das centrais CUT e CGT, que rendeu material para, no mínimo, gerar reflexões. [1]
Enquanto carros se espremiam tentando passar pela meia-pista que sobrou com a presença do caminhão, ouvintes puderam pensar: qual o motivo que leva fábricas de automóveis, bancos com faturamento recorde, e outras gigantes da indústria nacional, a demitirem funcionários em massa, culpando a crise? O que leva o Santander a demitir funcionários, se teve um dos maiores lucros de sua história? Por que faltam carros no mercado de hoje? Há algum tempo, Izídio de Brito Correia, então Presidente do Sindica…

Uma reflexão para o fim de semana

Uma pequena pergunta, que pode ser útil confrontada com a matéria que escrevi abaixo: o que faz a mídia durante a cobertura dos grandes eventos - como o Fórum Social Mundial - que reúnem as classes subalternas e lutam de forma contra-hegemônica, atuando a favor da dignificação do ser humano e sua libertação?Mídia confunde realidade e ficção, afirma estudiosoPara Arbex Jr., as novas tecnologias da informação diluem,em alguns momentos, a barreira entre fantasia e vivenciaçãoA população européia, no final do século XVIII, experimentava os primeiros ares de uma nova forma de pensar, sentir, fazer arte e filosofia, permeada pelo subjetivismo e marcada pelo transbordamento das paixões: eram os ares do movimento chamado "Romantismo". A literatura ganhava novos contornos. Lançado em 1774, o livro de autoria de Johann Wolfgag Goethe, despertou uma comoção inédita nos leitores: "Os Sofrimentos do jovem Werther" narra a história do jovem apaixonado por Charlott…

A transparência do mal - ou "o fantástico que ronda minha vida"

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Ave! E tem gente que não acredita no fantástico!!! Mal postei o texto abaixo e me chega na caixa postal um boletim do "Repórter Brasil", falando da infame flexibilização trabalhista.

Como alguns já perceberam, a crise é mais moral do que econômica! (Sugiro leitura de "A trasparência do mal - ensaio sobre os fenômenos extremos", de Jean Baudrillard. É fácil descobrir o motivo da crise atual, tanto econômico quanto moral).
Manifesto condena flexibilização trabalhista a reboque da crise De acordo com centenas que assinaram manifesto contra redução de direitos, as propostas de corte no "custo do trabalho" como resposta aos efeitos da crise são "oportunistas e descomprometidas com os interesses nacionais" Mais

O fim da História já passou - e descobrimos que ele nunca existiu!

Em 2008 realizei uma entrevista com o sociólogo do trabalho Ricardo Antunes. Não falávamos ainda em crise. Ao menos não abertamente. Ao menos não em "crise econômica global". A idéia de um mercado sem as amarras do controle estatal ainda parecia a solução para que jamais houvesse nova crise, para que o mundo desfrutasse do "estado de bem estar social" (só na cabecinha deles mesmo, entupida de ideologia - no sentido marxista do termo - neoliberal) que a nova estrutura de mercado proporcionaria. Ainda encontrávamos, na grande imprensa, entrevistas com megadiretores de corporações multinacionais, reclamando da estrutura de custos que o trabalhador - esse ser retrógrado que não se sacrifica em prol do bem estar de todos [da elite econômica, claro], humpf!- e os direitos trabalhistas criavam. Já se falava em flexibilização de leis trabalhistas e etc.
A atual crise econômica global - oh!!! como isso é possível!? - é um ótimo momento para flexibilizar tudo. M…

Reflexão

"O truque da filosofia é começar por algo tão simples que ninguém ache digno de nota e terminar por algo tão complexo que ninguém entenda". Bertrand Russell

Francis: o morto mais lembrado do jornalismo nativo

Paulo Francis. Talvez seja esse o nome que mais desperta saudosismo nos colunistas brasileiros. Do Digestivo Cultural, que trata (ou cita) com certa freqüência o morto, até correspondentes internacionais, como o Lucas Mendes e Ivan Lessa. O jornalista Paulo Francis começou sua carreira como esquerda e terminou como direita. O itinerário que ele seguiu não é lá tão claro, mas deve ter sido o mesmo de outros, como o Arnaldo Jabor. Fato é que, como crítico de teatro, Francis ficou para sempre nas páginas mais preciosas escritas na língua nativa sobre o tema. Já como jornalista... Como jornalista, ele não poupava desafetos. E falava, xingava, denunciava. Ás vezes de deparava com uma justiça diferente da nossa, onde calúnia e difamação são, efetivamente, crimes, e quem os comete é devidamente punido. Mesmo sendo jornalista. Mesmo sendo uma estrela "Paulo Francis". E esse foi o triste fim do morto mais lembrado da nossa imprensa. Em tempo: o motivo desse post é o texto …

Fernando Pessoa...

Um pequeno poema de Fernando Pessoa, para abrir o dia 05... O CONDE D. HENRIQUE Todo começo é involuntário.
Deus é o agente.
O herói a si assiste, vário
E inconsciente.
À espada em tuas mãos achada
Teu olhar desce.
"Que farei eu com esta espada?"
Ergueste-a, e fez-se.

FSM não é carnaval. Mas a mídia faz parecer que é.

Parece, ou melhor, é patente, que a grande mídia não leva nenhuma ação política contra-hegemônica a sério. Liguem a televisão ou o rádio, e o que verão sobre o Fórum Social Mundial é uma caricatura desse movimento que merece atenção de todo o mundo. Abram os jornais e o que terão é uma demonstração de que a tomada de consciência por parte da população não é o desejo da mídia. Aliás, essa criatura amorfa que nos envolve (sem mesmo uma definição precisa - o que é mídia afinal?) não gostaria que pensássemos. Como diária Giordano Bruno sobre o desejo da Igreja de sua época, "vive em teu estado asinino". Contra essa porcaria de cobertura que não informa, apenas deforma, sugiro visita aos sites da Carta Maior e do Le Monde Diplomatique. E uma overdose de TV Brasil (sim, ela também existe, é boa e tem audiência). Para finalizar, um texto magnífico: "Cultura popular é reinventar o mundo. É fundir o ouro, o cobre, o chumbo, a prata, é construir os instrumentos, é curt…

E-mails chatos, e com erros, o que é pior! (não, a chatice ainda é pior)

"Marketing" é uma palavra que me arrepia. Não sei bem o motivo, mas acredito que tenha alguma relação com minha aversão ao consumismo moderno. Fato que é dois termos sempre seguem essa palavrinha que não encontra par no idioma nacional. Quando "Marketing" vier acompanhado de "pessoal" ou de "atingir", sugiro que você corra. No primeiro caso, por se tratar de um engodo ou, na melhor das hipóteses, de uma falha conceitual. "Marketing" é essencialmente troca. Ora, que diabos é trocado quando se faz propaganda de sí mesmo? Então, "Marketing pessoal" não existe. É "autopropaganda" mesmo, no duro, e ponto. No segundo caso, trata-se de uma expressão, digamos, er, ditatorial e autoritária, contrária ao conceito de estratégia em Marketing, muito mais próxima a "alcançar" o pobre consumidor, e não atingi-lo, como se se tratasse de enfiar goela abaixo o que ninguém quer ou precisa. Portanto caros estrateg…

Uma ilha de mares distantes

Vasculhando entre o monte de bobagens da Internet, é possível encontrar ilhas interessantes. Embora ainda não tenha tido tempo de ler muitos posts, o blog "A Escola de Ciência Política"parece ser uma dessas ilhas misteriosas. Trabalhando sobre o sempre produtivo tema "política", o blog tem uma variedade incrível de temáticas, tratando de diversos autores, inclusive de Bakunin, da nossa "epígrafe" aí de cima. Como disse, ainda não lí muitos posts, mas os que lí me deixaram entusiasmado. Dêem uma olhada e me digam o que acham. Só uma coisa: o autor, Zé Rodrigo, é português, o blog também. Um ótimo momento para se conhecer a melancólica e poética escrita portuguesa.

Mino Carta se despede, mas sua escola ficará

São poucas as pessoas, especialmente os jornalistas, que sigo com ávido interesse. Mino Carta é um dos que a realidade me obrigou a seguir. Pela lucidez das críticas, pela qualidade do jornalismo, pela ética que o guia. Enfim, pelo jornalista que é. 60 anos de profissão o fizeram um dos mais ácidos combatentes em favor do bom jornalismo. Agora, o velho e teimoso anarquista, gramsciano, diz-se definitivamente decepcionado com a profissão. Decidiu afastar-se do blog, calar-se em CartaCapital. Tantas bordoadas nas costas, por tantos anos, não amoleceram o espírito crítico do Senhor Mino. E ele deixa escola. Posso me afirmar, com veemente orgulho, seguidor dessa escola. Ainda há muito o que aprender, mas cá estou, e praticarei o jornalismo à luz dos princípios que guiam Mino em sua jornada: Fiscalização diuturna do poder, onde quer que ele se manifeste; exercício desabrido do espírito crítico; fidelidade canina à verdade factual. Princípios esses que deveriam ser o Juramento …