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Mostrando postagens de Maio, 2009

Por uma autonomia do jornalismo

Linko aqui o texto do professor de jornalismo e doutor em sociologia política, João José de Oliveira Negrão, postado no blog Azesquerda. Reflete sobre alguns momentos do jornalismo nativo, em texto curto, mas que sugere uma reflexão fundamental para os dias de hoje, em que o jornalismo é tratado como apenas um apêndice de oligopólios midiáticos. Aproveito e também linko sua tese de doutoramento, intitulada "O jornalismo e a construção da hegemonia", hospedada na ótima Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação, a BOCC.

Dois momentos da intelectualidade

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O Programa do Jô recebeu, nessa madrugada, o historiador Bóris Fausto, que lança o livro "O crime do restaurante Chinês". Como conheço Bóris de alguns documentários veiculados pela TV Câmara e por outros trabalhos dele, engoli alguns entrevistados do gordo até que chegasse a vez de Bóris. Ficou claro, em poucos segundos, como trabalha o ego de Jô: se o entrevistado é amigo dele, ele puxa o saco até deixar o infeliz constrangido, tentando demonstrar intimidade. Se não é amigo da peça, ele tenta massacrar. E geralmente consegue. Como diz Ricardo Soares em ótimo post, "[no programa do Jô Soares] a única estrela a ser convidada todos os dias para dialogar consigo mesma é o gordo apresentador". Isso beirou a claridade ofuscante ontem, quando, ao apresentar algumas fotos colhidas em árduo trabalho de pesquisa para seu livro, Bóris precisou perguntar a Jô: "eu falo das fotos ou você fala?", segundos antes de serem projetadas para o público. Sem titu…

A tragédia escondida

A pequena área desmatada começou assim: o agricultor resolveu que determinada porção de mata ocupava uma área propícia para a plantação de leguminosas, cereais, raízes. Então, decidiu que precisava limpar a área e fazer a semeadura antes que a época de plantio passasse. Para limpar a área, ele precisava derrubar as árvores do local, mas isso não poderia ser percebido, sob risco de sanções e multas. Então, ele fez uma pequena plantação de bananeiras sob as árvores.As bananeiras são plantas que resistem à sombra, embora nessas condições ela não produza grandes e comercializáveis frutos. Crescem, e esse crescimento é suficiente para permitir a retirada da mata sem que eventualmente satélites fotografem o desmatamento ou que a área pareça desnecessariamente desmatada aos olhos do Ibama ou Instituto Chico Mendes. Árvore por árvore é arrancada, em um processo que dura bastante tempo, se comparado às hediondas correntes presas à tratores, que lambem a mata e deixam nuas clareira…