Dois momentos da intelectualidade

O Programa do Jô recebeu, nessa madrugada, o historiador Bóris Fausto, que lança o livro "O crime do restaurante Chinês". Como conheço Bóris de alguns documentários veiculados pela TV Câmara e por outros trabalhos dele, engoli alguns entrevistados do gordo até que chegasse a vez de Bóris. Ficou claro, em poucos segundos, como trabalha o ego de Jô: se o entrevistado é amigo dele, ele puxa o saco até deixar o infeliz constrangido, tentando demonstrar intimidade. Se não é amigo da peça, ele tenta massacrar. E geralmente consegue. Como diz Ricardo Soares em ótimo post, "[no programa do Jô Soares] a única estrela a ser convidada todos os dias para dialogar consigo mesma é o gordo apresentador". Isso beirou a claridade ofuscante ontem, quando, ao apresentar algumas fotos colhidas em árduo trabalho de pesquisa para seu livro, Bóris precisou perguntar a Jô: "eu falo das fotos ou você fala?", segundos antes de serem projetadas para o público. Sem titubear, o grande intelectual apresentador e sofrível escritor golpeou: "pode deixar que eu mesmo falo". Humildade do historiador que mais serviu de crítica ao patético apresentador. Bóris Fausto, do alto de suas pesquisas dirigidas com rigor, se permite dúvidas. Jô Soares não admite nenhuma. Para ele, dúvidas são "humanas, demasiado humanas".

Comentários

Nei disse…
É o Enjôo Soares.

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