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Mostrando postagens de Junho, 2007

Conto: “A terra dos homens de olhos esbugalhados”

O Pajé era a figura mais importante da tribo. Em tempos difíceis, em dias de guerra, ele era consultado até o absurdo de quatro vezes em um único mês. Todos tinham respeito por ele. Ele era o chefe, diziam-no filho do Sol e da Terra. Ele podia conjugar o mal e o bem, a sombra e a claridade, a água e o fogo, tamanho era seu poder. Sua choça ficava distante da tribo. Meio dia a cavalo. Índios iam diariamente levar para ele frutas e raízes cozidas. Era obrigação da tribo alimentá-lo. Não gostava muito de carne. Apreciava apenas um caldinho de cristas de galo, preferência culinária herdada de um padre colombiano que vivera no garimpo e fracassara em sua tentativa de catequizar a tribo. Até os garimpeiros já haviam recorrido a ele quando uma epidemia de diarréia acossou-os. O Pajé havia conseguido a façanha de apaziguar as relações entre a tribo e o garimpo, embora volta e meia se engalfinhassem por um motivo qualquer.Mas o Pajé, um dia, foi esquecido por todos. Mistério.
Era uma terra de h…

De olho na piauí!

Olhem lá, minha gente! Mandei um texto para o concurso literário da piauí. Leiam (não só o meu, mas todos os que puderem). Cliquem Ela saiu de fininho e deixou os bobões pra lá (esse é o título do meu texto). Abraços.

As mil histórias da Víbora

Resenha (A milésima segunda noite da avenida paulista)
Livro traz coletânea de textos do escritor e jornalista Joel SilveiraÉ difícil encontrar livros onde o jornalismo e a literatura co-habitam tão harmoniosamente quanto em A milésima segunda noite da Avenida Paulista (Companhia das Letras, 213 págs., R$ 38,50), do jornalista e escritor Joel Silveira. Trata-se de uma ótima coletânea de reportagens, perfis e entrevistas estruturadas e escritas nos moldes do mais refinado Jornalismo Literário Brasileiro.Mais do que isso, é o retrato de uma época em que a víbora – apelido que Joel ganhou de Assis Chateaubriand, o poderoso dono dos Diários Associados, de quem foi correspondente na Segunda Guerra Mundial – conviveu com intelectuais e artistas brilhantes, hoje lembrados e reconhecidos por suas obras. Conheceu alguns até intimamente, como o pintor Di Cavalcanti, que ajudou Joel a bisbilhotar a vida da sociedade paulistana, bisbilhotices que lhe permitiram escrever a reportagem que abre o liv…