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Mostrando postagens de Dezembro, 2014

Sobre jardins

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“Foi infeliz na vida e mais nada!”
Essas eram as palavras que ele pediu para colocarem em sua lápide, depois que partisse.
Talvez ele fosse a pessoa mais amargurada do universo. Ou não.
Só se sabe dele que nada tinha, nem amigos, nem familiares, nem companheiros, nem casa, nem cachorro.
Meia dúzia de prostitutas se lembraria de sua figura franzina. Mais ninguém.
Elas se lembrariam porque em seus braços estigmatizados pela sociedade sofreu e chorou o mais solitário dos homens.

E em cada soluçar, fazia nascer uma rosa no coração da mulher-da-vida que o abraçava.
Seu sofrimento cinza criou jardins multicores nos corações alheios, solitários, que encontravam par naquele coração amargurado.
E quando ele partiu, "suas" mulheres decidiram colocar em sua lápide: “Fez felizes na vida, e tudo o mais!”
E com esse epitáfio, descansou o homem mais amargurado do mundo.

Tic-Tac

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Os pés andam rápido pelo asfalto.
Tic-tac-tic-tac,
Seguem o compasso do relógio.
Tic-tac-tic-tac.
Para onde levarão o homem?
Tic-tac-tic-tac.
Ele nunca perguntou. Só anda!
Tic-tac-tic-tac.
O coração bate forte!
Bum-bum-bum-bum.
Os passos apressados, que seguem o compasso do relógio, levarão para sua amada?
O coração bate forte!
Bum-bum-bum-bum.
Tic-tac-tic-tac.
Finalmente os sonhos de amor se concretizarão?
Bum-bum-bum-bum.
Tic-tac-tic-tac.
Não! Os passos apressados, que seguem o compasso do relógio, só levam o homem para o relógio de ponto.
Bum-bum-bum-bum.
Tic-tac-tic-tac.
Atrasado. Atrasado. Atrasado.
Os passos seguem para a frente, mas a vida está estancada nos medos, e se resume a seguir o compasso do relógio. Até que um dia, ele para, para sempre!

Aquele corpo...

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Possuía-a, e para mim era tudo. Nada mais me importava. Nada. Sua pela macia, seu cheiro doce, suas pernas finas e seios rijos. Seu corpo era meu mundo, e através de seus olhos eu via todo o resto, que não passava de migalhas sem sentido. O sol acariciava seus cabelos cheirosos, que me lembravam plagas floridas. Eram caracolados, cheios de anéis.
Gostava mesmo era de sentir seu coração pulsar forte, como o de um touro defronte o toureiro, depois da primeira lancetada. A quantidade se sangue jorrando era a mesma de adrenalina correndo nas veias longas. O corpo dela chegava a vibrar. Era instinto puro sendo exalado pelos poros. A força a e jovialidade de seu corpo era maior do que de todos os outros corpos que eu possuíra.
Fiz planos com ela. Viajar para longe, ver o fim do mundo e depois voltar com coisas maravilhosas e novas para contar a todos, que ficariam embasbacados. Ou simplesmente permanecer no fim do mundo e desfrutar da ausência de todos os outros. Qual seria o nosso fim do …

A lágrima (feminina) move o mundo

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É claro que as mulheres têm sempre razão. Afinal, quem é macho o suficiente para ver uma mulher debulhar-se em lágrimas e, ainda assim, sustentar que o equívoco é dela, e não seu?
Por essa razão, não tenho receio de afirmar que o mundo foi criado sob o olhar choroso das mulheres, mais do que a partir da pretensa “potência criadora” do macho.
É mais fácil ceder às lágrimas femininas do que aos apelos de toda uma nação, que pede o fim de uma guerra.
Afinal, todo homem que se preze vive uma verdadeira batalha interna (sem floreios, sem meios termos, sem parcialidades) quando debate com uma mulher.
Por mais errada que ela esteja, o final é sempre o mesmo: pela via do argumento ou da lágrima, o varão tombará. É inevitável.
No final das contas, não existe testosterona que vença a lágrima.

O dia mais feliz

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Trazia em si o terror da morte. Terror de morrer repentinamente sem sequer se dar conta de que estava morrendo. A alegria não passava por sua vida, mas a morte... essa não lhe saía da cabeça. Tinha dúvidas sobre haver vida depois de partir. Para onde iriam as almas dos mortos, caso elas existissem? Essa pergunta sempre lhe perturbava. Temia o inferno dos Cristãos, mas temia ainda mais não haver nada. Às vezes se pegava suando frio, com a mente voltada para seu fim. Não havia qualquer motivo para se fixar tão intensamente no tema: era contador, não tinha uma vida atribulada, era casado com a mesma mulher havia mais de 30 anos (embora não conversassem há... quanto tempo? Não lembrava), e tinha uma saúde razoavelmente boa, embora o médico dissera-lhe que estava com o colesterol um pouco alto. “Nada de mais”, lhe garantira. Mas tremia, como tremem os cães vira-latas sob a chuva do inverno. Tremia, e o tremor lhe congelava o peito, as pernas, os braços. Era terrível. E nesse tremedeira, …

O Nobre Deputado

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Um nobre deputado gritou a outra nobre deputada que não a estupraria porque ela “não merecia”. Ele pensou muito antes de dizer isso, afinal, não se expõe em vão e em público um método tão íntimo de se castigar alguém.
É óbvio que tal prática de tortura, usada por ele com grande maestria, vinha sendo praticada com zelo e primor havia anos. Ele mesmo não lembrava como a aprendera, mas no fundo sabia que apenas replicava um modelo usado contra ele mesmo, quando pequeno.
No dia em que expôs esse método em público, o nobre parlamentar vinha de uma longa sessão de punição. Apenas algumas horas antes, ele já havia castigado dois funcionários fantasmas (que por azar apareceram naquele dia para receber seus “vencimentos”), uma ovelha e o próprio sapato. Só para desestressar.
O estupro não era sua única ferramenta de punição, apenas a preferida, já que usava outra muito comum: despejar nos ouvidos dos torturados suas ideias sobre política. Fosse na época da Ditadura, ele teria institucionaliza…

A metamorfose humana

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Reflexões
A maior riqueza do homem é sua incompletude! Essa frase de Manoel de Barros (1916-2014) traz em si uma aparente contradição: como pode a maior riqueza ser uma necessidade (carência!) de completar-se? A riqueza não deveria ser, justamente, a completude, ou seja, tornar-se completo em todos os sentidos, em todas as frentes de batalha (trabalho, relacionamento etc)?
Para o poeta cuiabano, sensível e decerto descolado do atual estado de coisas mundano (ou seja, conquistar o que queremos e satisfazer nossos desejos, de forma imediata), a resposta é um retumbante não.
A riqueza da incompletude está justamente na busca por completar-se, constantemente, imparavelmente, o que leva necessariamente a duas possibilidades: a frustração da derrota ou o gozo da vitória. Em qualquer dos casos, é o desejo humano por buscar tornar-se totalmente íntegro, de si e das coisas ao redor (que tornam-se parte dele também), que agem no íntimo do homem e formam sua força motriz.
A possibilidade de comp…

Brasil tem cinco línguas indígenas com mais de 10 mil falantes

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Série da Agência Brasil
Cinco das mais de 150 línguas indígenas faladas no Brasil têm mais de 10 mil falantes, segundo dados do Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o Censo, que leva em consideração pessoas com mais de 5 anos de idade que usam o idioma em seu próprio domicílio, as línguas mais usadas no Brasil são o tikuna (com 34 mil falantes), o guarani kaiowá (com 26,5 mil), o kaingang (22 mil), o xavante (13,3 mil) e o yanomami (12,7 mil).
Dessas cinco, três (tikuna, guarani kaiowá e yanomami) têm ainda mais falantes do que o divulgado pelo Censo do IBGE, já que são usadas também por indígenas que vivem em países vizinhos, como o Paraguai, a Colômbia e a Venezuela.
Mais sete idiomas superam a marca de 5 mil falantes no Brasil: guajajara (9,5 mil), sateré-mawé (8,9 mil), terena (8,2 mil), nheengatu ou língua geral amazônica (7,2 mil), tukano (7,1 mil), kayapó (6,2 mil) e makuxi (5,8 mil). Se o guarani nhandeva (com 5,4 mil falantes…

Brasil pode perder 30% de suas línguas indígenas nos próximos 15 anos

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Série da Agência Brasil
O Brasil corre o risco de perder, no prazo de 15 anos, um terço de suas línguas indígenas, estima o diretor do Museu do Índio, José Carlos Levinho. Atualmente, os índios brasileiros falam entre 150 e 200 línguas e devem ser extintas, até 2030, de 45 a 60 idiomas.
“Um número expressivo de povos, inclusive na Amazônia, tem cinco ou seis falantes apenas. Nós temos 30% [das línguas] dos cerca de 200 povos brasileiros com um risco de desaparecer nos próximos dez ou 15 anos, porque você tem poucos indivíduos em condições de falar aquela língua”, alerta Levinho.
Segundo ele, desde que o Museu do Índio iniciou um trabalho de documentação de línguas dos povos originais, chamado de Prodoclin, em 2009, os pesquisadores do projeto viram dois idiomas serem extintos, o apiaká e o umutina.
“Tem também a situação de [línguas faladas por] grupos numerosos, em que você tem um número expressivo de pessoas acima de 40 anos falando o idioma mas que, ao mesmo tempo, tem um conjunto …

Tupi deu importantes contribuições ao português

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Série da Agência Brasil
Meu xará, carioca da Tijuca, foi ao Pará surfar a pororoca, em um rio infestado de piranhas e jacarés. Nas margens, viu jaguares, quatis e capivaras. No céu, sobrevoavam araras, tucanos e urubus. Enquanto estava lá, bebeu suco de caju e de maracujá. Comeu pipoca, mandioca, carne de tatu e de paca. Visitou uma taba amazônica e foi cutucado por um curumim curioso. Dormiu em uma oca cheia de cupim e ficou com o corpo coberto de perebas. Foi atendido por um pajé. Depois de algum tempo, quando já estava na pindaíba, voltou para casa.
O texto acima é fictício e pode até ter informações inexatas, mas serve para mostrar como a língua usada no dia a dia no Brasil recebeu grande influência do idioma tupi, amplamente falado no país quando os primeiros portugueses chegaram aqui no século 16. Nada menos que 27 palavras de origem indígena (que estão grifadas em itálico) foram usadas no parágrafo.
O tupi antigo foi, durante as primeiras décadas de ocupação portuguesa, a princ…

Estudo do idioma pirahã desafiou teoria consagrada da linguística

Série da Agência Brasil
O idioma pirahã, falado por cerca de 400 indígenas que vivem às margens do Rio Maici, no sul do Amazonas, talvez fosse apenas mais uma das dezenas de línguas brasileiras ameaçadas pela extinção não fosse pelo estudo de um linguista americano. As pesquisas conduzidas por Daniel Everett, entre o final da década de 1970 e o início deste século, levaram-no a questionar um conceito consagrado no mundo da linguística: o da gramática universal, do também norte-americano Noam Chomsky.
Everett chegou aos pirahã como missionário cristão do Instituto de Linguística Summer (SIL). Seu objetivo era decifrar a língua desse povo que, até então, tinha pouco contato com os homens brancos, para convertê-los ao cristianismo. A convivência com esses indígenas levou Everett a questionar sua fé, abandonar o trabalho de missionário e virar ateu.
Os resultados da pesquisa de Everett, hoje reitor do Centro de Artes e Ciências da Universidade de Bentley, em Massachusetts (EUA), ganharam …

Em aldeia no Rio, índios guaranis mantêm sua própria língua

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Série da Agência Brasil
Em uma área de proteção ambiental, localizada a pouco mais de 50 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro, um grupo de cerca de 60 pessoas mantém uma tradição milenar. Nesse lugar, em meio a casas de barro com teto de sapê e construções simples de madeira, o português quase nunca é ouvido.
A Aldeia Mata Verde Bonita, construída no início de 2013, no município de Maricá, abriga cerca de 20 famílias da etnia Guarani Mbyá, originárias de Paraty, no sul fluminense. No local, a língua franca é a variedade mbyá do guarani, um idioma indígena do tronco tupi-guarani, falado por milhares de indígenas (e até não indígenas) no Sul e no Centro-Oeste do Brasil e em países vizinhos, como a Bolívia e o Paraguai.
Das coisas mais simples, como pedir um objeto, às mais elaboradas, como a prática de rituais e festas, tudo é feito por meio do guarani. “A gente só usa o português para fazer contato com o que a gente chama, na linguagem indígena, de juruá ou homens brancos. Usar o gu…

O ex-homem

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Ela criava com o pensamento e a última coisa que criara fora um coelho branco. Fiquei intrigado tentando imaginar o que passava em sua cabeça. Talvez um desejo sexual reprimido. Coelhos procriam rapidamente, e "botam ovos de chocolate". Talvez aquilo fosse uma mistura banal do seu inconsciente.
Enquanto ela se divertia com animaizinhos inocentes, eu me sentia reconfortado. Não corria riscos, como seu único e carnal homem. Ao lado dela eu estava havia anos, suportando suas esquisitices, seus sentimentos de culpa, suas liberdades inconsequentes e, muitas vezes, perniciosas.
Em pouco tempo (muito menos do que eu imaginava), ela se esquecera do coelho que, aos poucos, foi se apagando até desaparecer. Não sei se sofreu ou não. Só sei que foi empalidecendo, perdendo a textura, até sumir, como uma baforada de fumaça se esvais rapidamente.
Eu ficava olhando ela brincar com pensamentos, mas jamais imaginar outro homem. Até que o inevitável aconteceu e a mulher que brincava como meni…

Jovem guajajara diz que língua nativa é forma de manter identidade

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Série da Agência Brasil
A jovem Zahy atende o telefone celular e começa a falar com o pai, que vive a centenas de quilômetros de distância, no Maranhão. A conversa flui em um português perfeito até que ela pede para falar com a mãe. De uma hora para outra, a fala da jovem, moradora de um conjunto habitacional no centro do Rio, torna-se incompreensível para o repórter.
Naquele momento, a moça volta a suas raízes e usa palavras que aprendeu cerca de duas décadas atrás, quando ainda morava em uma aldeia indígena na Região Nordeste. Zahy é cabocla, como ela mesma se descreve, filha de homem branco com mulher guajajara. Suas primeiras palavras foram no idioma falado por sua mãe.
Até os 8 anos de idade, Zahy não falava nem entendia o português, apenas o guajajara, idioma da família linguística tupi-guarani. “Meu pai não é índio e foi morar na aldeia. Então, até os 8 anos, ele tinha uma grande dificuldade de falar comigo. Ele só falava português comigo, mas, como cresci naquela aldeia e não f…

Línguas indígenas ganham reconhecimento oficial de municípios

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Série da Agência Brasil

Em 2002, São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do estado do Amazonas, tornou-se o primeiro município brasileiro a alçar línguas indígenas ao mesmo status do português. Uma lei municipal tornou o tukano, o baniwa e o nheengatu (derivado do tupi antigo e usado como língua franca na Amazônia durante décadas) línguas co-oficiais da cidade.
Segundo a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), em São Gabriel da Cachoeira são falados 18 idiomas. A Foirn considera o Alto Rio Negro uma das regiões de maior diversidade étnica e linguística da Amazônia.
A lei municipal garante, entre outros pontos, que as repartições públicas tenham atendimento, oral e escrito, nas quatro línguas. Os documentos públicos e as campanhas institucionais da prefeitura também devem ter versões nos três idiomas indígenas.
O vice-prefeito, Domingos Camico Agudelos, diz, no entanto, que está sendo difícil implantar a lei, principalmente pela falta de pessoal capacitado para redigir…

Campanha publicitária é lançada para estimular consumo do audiovisual brasileiro

Já está sendo veiculada nas emissoras de TV de sinal aberto a campanha publicitária "Audiovisual brasileiro. Grande como o Brasil", lançada pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). A campanha, que terá inserções também nos canais por assinatura, nas salas de cinema, no rádio, na mídia impressa e na internet, inclusive nas redes sociais, busca incentivar o consumo de conteúdos audiovisuais brasileiros nas mais diversas telas. As mensagens terminam sempre com a frase “Assista, recomende, valorize o que é seu”.
Estrelada pelos atores Patricia Pillar, Cauã Reymond, Matheus Nachtergaele e Deborah Secco, a principal peça da campanha é um filme de um minuto, dirigido por Clóvis Mello.  Nele, os atores conversam nos bastidores de um set de filmagem sobre a paixão pela profissão e comentam o bom momento da produção audiovisual do país.
De acordo com a Ancine, de janeiro até o final de novembro, mais de 100 novos filmes nacionais chegaram às salas de exibição, sem falar na presença …

Mostra de presépios traz a São Paulo peças raras produzidas em papel

Exposição aberta na manhã do sábado (6), no Museu de Arte Sacra de São Paulo, traz para a capital paulista uma coleção de presépios de papel produzidos e impressos, em sua maioria, na Alemanha, entre 1890 e 1940. Com cerca de 150 obras raras, Presepe di Carta apresenta a coleção particular de Celso Battistini Castro Rosa. Hoje, essas obras despertam interesse de colecionadores de todo o mundo, mas no século 18 esses trabalhos eram conhecidos como “presépios de pobres” - época em que as peças de gesso, barro ou madeira eram consideradas mais nobres.
Em 1782, o imperador da Áustria Joseph II, por questões políticas com a igreja, passou a desestimular as montagens tridimensionais dos presépios, e o papel surgiu como alternativa para a representação do nascimento de Jesus Cristo, segundo Osley José Viaro, curador da mostra.
No século 19, com o surgimento da litografia - técnica de impressão que permitia a produção de cópias em larga escala, a partir de uma matriz -, as peças em papel se …

Satélite sino-brasileiro Cbers-4 é lançado e envia sinais para a Terra

O satélite sino-brasileiro de sensoriamento remoto Cbers-4 foi lançado neste domingo (7) à 1h26 (no horário de Brasília, 11h26 em Pequim) da base de Taiyuan, a 700 quilômetros da capital chinesa, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este é o quinto equipamento de sensoriamento remoto produzido em parceria pelo Brasil e a China.
O satélite foi lançado pelo foguete chinês Longa Marcha 4B. Quando atingiu o ponto ideal da órbita, um comando liberou a trava do dispositivo que prendia o Cbers-4 ao foguete. Impulsionado por molas, o satélite afastou-se do lançador e entrou em órbita 12,5 minutos após o lançamento.
Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), o Cbers-4 enviou os primeiros dados orbitais às 2h, quando atingiu 742,5 quilômetros de altitude. O satélite de sensoriamento remoto completa uma órbita em torno da Terra a cada 90 minutos e sua primeira passagem sobre o Brasil era prevista para as 10h de hoje.
Com duas toneladas e equipado com quatro câmeras, o C…

Cultura negra ainda encontra dificuldade de reconhecimento pelo Estado

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As culturas de matriz africana no país ainda têm dificuldades para fazer valer seus direitos de reconhecimento por parte do Estado. Durante seminário promovido pela Fundação Cultural Palmares, os debates focaram a necessidade de se aliar políticas públicas efetivas de preservação da cultura e da memória, assim como o direito à cidadania das comunidades negras. O evento contou com a parceria da Defensoria Pública da União.
Para o defensor público Carlos Eduardo Paz, do grupo de trabalho Quilombola, Cidadania, Cultura e Identidade, essas comunidades não estão realmente salvaguardadas pelo Poder Público. "A lei, muitas vezes, não tem dispositivos que atendam a todas as especificidades de cada comunidade, com seus problemas mais pontuais”. Ele acrescentou que as leis de salvaguarda da cultura negra em vigor “não dão conta da totalidade da realidade".
Essa situação de falta de políticas públicas é compartilhada por um líder jongueira, Alessandra Ribeiro Martins, da Comunidade Jo…

Prêmio de Dança da Funarte vai dar R$ 6 milhões em prêmios

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A edição 2014 do Prêmio Fundação Nacional de Arte (Funarte) de Dança Klauss Vianna vai contemplar 82 projetos de todo o país, que receberão prêmios de R$ 44 mil a R$ 100 mil. Com investimento de R$ 6 milhões, o edital foi lançado no dia 03 no Rio de Janeiro na sede da fundação. 

O edital é dividido em três categorias: atividades artísticas para nomes consolidados, atividades artísticas para novos talentos (para proponentes com até três anos de atividades) e circulação nacional de espetáculos. As inscrições estarão abertas. Poderão concorrer pessoas físicas e jurídicas. A íntegra do edital estará disponível no Portal Funarte e as inscrições poderão ser feitas pelos Correios. Desde a última edição, o prêmio dá um incentivo especial para espetáculos da Região Norte circularem em outras regiões e para montagens de outras regiões circularem pelo Norte. 
A ministra interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler, abriu a cerimônia e destacou que o Norte e o Nordeste merecem maior apoio na área c…

Maracatu recebe título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

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Manifestações culturais, o maracatu nação, o maracatu baque solto e o cavalo marinho receberam no dia 03 o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. O título foi concedido em votação unânime do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. O reconhecimento amplia a visibilidade pública sobre o bem imaterial e assegura maior apoio. O maracatu nação é uma forma de expressão que apresenta um conjunto musical percussivo e um cortejo real que sai às ruas para desfiles e apresentações durante o carnaval. Os grupos são compostos majoritariamente por negros e se apresentam na periferia da região metropolitana do Recife. É entendido como uma forma de expressão que congrega relações comunitárias, compartilhamento de práticas, memória e vínculos com o sagrado. O maracatu baque solto ocorre durante as comemorações do carnaval e da Páscoa. É composto por dança, música e poesia e está associado ao ciclo canavieiro da Zona da Mata (faixa litorânea da Região Nordeste que se estende do Rio Grande…

Cresce a intolerância no Brasil

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Onda de preconceito e racismo se desenvolve de forma inédita no país pós-democratização
Após as eleições de outubro deste ano, passado o segundo (e turbulento) segundo turno, começaram a pipocar por todos os lados, tentativas de diminuir a validade da vitória nas urnas da presidente Dilma Rousseff (PT). No Congresso Nacional, estão nascendo dezenas de pedidos de impeachment, visando impedir que ela assuma seu segundo mandato.

Fato é que Dilma disputou as eleições dentro do jogo democrático e, como reza a democracia, quem tiver mais votos, leva. E ela levou, pela segunda vez.
A crescente onda de insatisfação contra a presidente é compreensível. O modelo de governo do PT está desgastado, e o brasileiro se esquece de forma muito rápida dos problemas pelos quais o país já passou, e o que estava bom ontem ficou “meio ruim” hoje, porque não melhorou no ritmo esperado e desejado pela população.
Muitas conquistas sociais já foram alcançadas, a qualidade de vida aumentou em relação ao período pré-…