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Mostrando postagens de Janeiro, 2009

"Fiol Mio", ou de como um cético passou a crer no Espiritismo

Tenho ouvido com relativa freqüência menção a um artigo escrito pelo jurista brasileiro Miguel Reale Jr, veiculado dia 3 de janeiro deste ano, no jornal "O estado de São Paulo". O artigo intitula-se "Razão e Religião", e trata do cientista e médico italiano, ícone da escola penal positiva italiana, Cesare Lombroso. Reale expõe a "conversão" de Lombroso ao espiritismo, em um texto-síntese onde explora a história do fundador da Antropologia Criminal, que inicialmente acreditou que uma pessoa traria em sua conformação física características que lhe definiriam "assassino, contraventor etc". Após vivências mediúnicas, Lombroso acaba defendendo a idéia de que ninguém (ou melhor, raramente alguém) é um criminoso nato. Linko para vocês aqui o texto, já que o sistema de busca do Estadão é um lixo. Vale a pena dar uma lida no artigo e refletir sobre o livre arbítrio. Para quem tem mais fôlego, sugiro uma incursão pelo texto de Schopenhauer, &qu…

"Férias" curtas

Tomo a liberdade de ficar sem postar até o dia 28. Mas prometo compensar o tempo de ausência. Abraços a toda gente e até logo.

Festival Tela Digital leva filmes amadores para a TV

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Falei abaixo de democratização da comunicação. Embora seja um passo bastante modesto, o Festival Tela Digital, promovido pela TV Brasil e Kinoforum, é, na minha opinião, a mais ousada iniciativa para levar para as telas de tv as produções independentes, dando a elas o espaço e a visibilidade que nenhum outro projeto permitiu até hoje.
O site oficial do festival (AQUI) fala da troca entre televisão, Internet e produtores audiovisuais independentes. Parece que o Brasil começou a entender que a vida da televisão está cada vez mais atrelada aos produtos e desenvolvimentos da Internet. Vida longa ao projeto e à TV pública.

Espetáculos grotescos, atos desumanos, gente no lodo

Acabo de falar em mídia e jornalismo e me aparece o Geraldo Luis, do programa Balanço Geral, da TV Record, a mostrar um homem considerado morto pelo INSS há 10 anos. Esse homem (Paulo), estaria aposentado por um problema que o tornou inválido como trabalhador. Por algum motivo (incompetência e desrespeito para com o cidadão), o INSS o considerou como morto. Um juiz reconheceu que o INSS errou, e determinou que Paulo seja ressarcido. Somente após a Record mostrar interesse pela história de Paulo é que o INSS resolveu pagar os benefícios cabíveis. Em contraponto, Geraldo Luis propagandeou a força dessa emissora e sua atuação junto ao povo mais humilde. Enquanto isso, o homem chorava e dizia que perdera sua dignidade. Um espetáculo grotesco, para não falar desumano. Tão desumano quanto a ação do INSS junto aos cidadãos brasileiros. De qualquer forma, um caso (entre milhares de outros) foi resolvido. Será que a TV Record irá a fundo, mostrando os milhares de casos em que pesso…

O mundo aquece enquanto a economia esfria (colapso em ambos os casos)

O jornalismo sempre sofreu de um mal: o esquecimento. Quer pelo espaço exíguo que os meios de comunicação proporcionam para a exposição do que é importante (ou assim julgado), sempre dividido entre propagandas e entretenimentos vazios, quer pelo curto prazo para produção de matérias, quer pela mais absoluta comodidade de não se aprofundar em um tema. Um exemplo? "Aquecimento Global". Quando ouvimos falar disse pela última vez na TV, ouvimos no rádio, ou vimos na primeira página de um jornal ou revista não-especializado? Por acaso o problema já está resolvido? Tem-se até a impressão que sim, tamanho o silêncio. Durante a cobertura da posse de Barack Obama, ouvi uma ou duas vezes essas palavrinhas. Perdidas entre enxurradas de outras palavrinhas e palavrões. No jornalismo, a regra é falar sobre novidades. Esquecemos de manter os debates fundamentais na sociedade. "Há crise global? Sim! Isso é importante? Sim! Vamos falar sobre o que? Crise Global, claro!"…

Um terceiro mandato seria um horror?

O ótimo Ricardo Soares, do Todoprosa, fala em um post de ontem (desculpem o atraso em citá-lo) sobre Roberto Freire, a figurinha já comentada nesse blog (se fosse um impresso eu não gastaria espaço falando dele), e termina o post com algumas perguntas que merecem reflexão. Freire brada com freqüência contra a possibilidade de permitir um terceiro mandato ao Presidente eleito Lula. Ricardo cita a Constituição antes de partir para as perguntas: a Carta Maior da nossa Democracia garante plebiscitos sobre temas relevantes. E por que não colocar em debate público a possibilidade de um terceiro mandato presidencial? Em qualquer democracia é saudável fomentar debates entre a população. A mídia nacional e políticos de diversas raízes tratam o tema como um atentado à democracia. Mas nosso regime democrático já está suficientemente consolidado para que essa decisão seja tomada pelo povo. E caso um plebiscito permita o terceiro mandato, caberá à população reeleger democraticamente Lu…

Um humano

“Estou eu aqui mais uma vez. Não é a primeira vez. Já fiz isso antes, mas nunca como agora. Nunca senti algo como agora. Mesmo que me olhem assim, com nojo, sinto-me feliz. Profundamente feliz. Porque esses que me olham sabem que são como eu. Sempre foram, sempre serão. Têm a podridão humana dentro de si, mas não assumem. Quem, podendo, não faria o que fiz? Quem, podendo, não sentiria o profundo prazer que senti ao liberar meu instinto humano, em toda a sua glória e alcance e fúria? Todos querem, mas têm medo. Medo...”. Ele tinha razão quanto a sentirem nojo dele. Afinal, todos sabem que o humano caminha para a libertação de seu estado animalesco. Mas e se ele estiver certo? Não, é claro que não está. Todos o olham como se ele fosse um animal, não-humano. Um demônio. Lábios finos, olhos faiscantes, língua muito branca para ser de vivo, lambe os beiços. Sorri, enquanto relembra sua façanha, à espera da decisão do delegado. Ele espera não ser preso. E sua não-prisão comprovará a tese da…