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Mostrando postagens de Janeiro, 2011

Salvação

Vejo-a tão triste hoje, pequena; Enfim descobriste que jamais procurei salvação em ti. Nunca quis teu amor sublime. Desejei teu corpo, e só. Como outros também o desejaram.
Tantas conversas ao pé da noite travamos, Madrugadas inteiras povoadas de Deus e anjos. Acho que tu és angelical, enfim. Mas não salvarás esta alma minha, Que ama a vida terrena, e não crê.
Mas se lhe serve esta promessa, jamais me esquecerei de ti. E, mesmo esquecendo, a sentirei para sempre. Pois a pele, infame, não esquece. Parto agora, que o mundo me espera. Salve-se e a alguém que creia menina. Adeus.

Eu, você, ninguém

Não, não sei dizer o que queres ouvir; Em palavras doces de angelical encanto. Mas posso muito lhe contar em pranto, De sombras humanas, e de nosso porvir. Da carne que a túnica dourada esconde, Mas que perdeu a vida, não se sabe quando, nem onde.
Se perguntares o que sobrou de nós. Sabes que não falarei de amor. Posso falar de infortúnios e dor, Enquanto enlouqueces por estarmos sós. Por sermos dois peitos calados, Chagas abertas, dilacerados.
Se insistires em saber o que somos agora, Posso buscar nossas histórias, Remexer nossas memórias, Dos anos passados até esta hora. És a que não crê, sou o que não ama. Éramos o campo em flor, hoje somos a lama.
Somos qualquer um, indiferentemente Qualquer humano, velho, criança. Vivendo do gotejar da esperança; De uma verdade que nos mente. De um passado que nos cega, De uma morte que não chega.
Sou o que jamais construí; És a melodia que jamais compuseste; És a semente que não será cipreste; Sou a certeza de que, tentando viver, em vida morri. Sou e és, enfim, o que nun…