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Mostrando postagens de Agosto, 2013

Raul Seixas e Martin Heidegger: reflexões possíveis

Posto hoje uma bela música do eterno Raul Seixas. Além da poética e da melodia, a música nos presenteia com a possibilidade de fazermos, à partir dela, elaborados raciocínios filosóficos sobre a existência e o nosso estar-no-mundo... aproveitemos para revistar algumas páginas de Heidegger e pensar como o Dasein se vê, hoje, aprisionado aos costumes de nossa sociedade hipócrita, sempre precisando se reinventar para sobreviver à avalanche de pseudo mudanças que ocorrem no cotidiano.

Segue o teu destino

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Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é maios ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.

Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida
Nunca a interrogues
A resposta está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis

Bem e Corrupção, de Santo Agostinho

Caros leitores, transcrevo trecho de um belo raciocínio de Santo Agostinho, de cuja filosofia tratarei em tempo oportuno. Agostinho defende, aqui, a existência do bem como necessária para que haja a corrupção. Sem bem, não haveria o que corromper. Raciocínio que tem grande importância ainda nos dias de hoje. Reflitamos, pois....
Bem e Corrupção Vi claramente que todas as coisas que se corrompem são boas: não se poderiam corromper se fossem sumamente boas, nem se poderiam corromper se não fossem boas. Com efeito, se fossem absolutamente boas, seriam incorruptíveis, e se não tivessem nenhum bem, nada haveria nelas que se corrompesse. De facto, a corrupção é nociva, e se não diminuísse o bem, não seria nociva. Portanto, ou a corrupção nada prejudica - o que não é aceitável - ou todas as coisas que se corrompem são privadas de algum bem. Isto não admite dúvida. Se, porém, fossem privadas de todo o bem, deixariam inteiramente de existir. Se existissem e já não pudessem ser alteradas, seria…

Slavoj Zizek no Roda Viva

Assisti a essa entrevista no Roda Viva depois de anos de contato inicial com a obra de Zizek (que me ensinou que a pronúncia do inglês correto não é nem de longe essencial para ser entendido). O filósofo esloveno tem sido um dos mais citados pela cultura "pop", justamente por suas linhas de pesquisa. Isso não o faz menos profundo, ao contrário.

Catedral

Gostava de contar as horas no velho cuco que o avô pendurara na parede havia décadas. Quando sob o sol, olhava a sombra das pedras se moverem. Talvez ele fosse o único naqueles dias tristes a se dar conta de que o olho nú consegue ver o deslizar da Terra pelo espaço apenas através de uma única, milenar e insignificante pedrinha, que qualquer trabalhador chutaria se a encontrasse no caminho. Naqueles dias - quando a mágoa não era conhecida, apenas a saudade do pai que se fora sem dizer para onde - os dias passavam pesadamente lentos. A mãe era farrapo de mulher, que se sustentava sobre as pernas finas e carregava os ombros arcados, cansados de costurar o dia todo e parte da madrugada. No vai-vem da agulha, eram costuradas linhas, panos, trapos e mágoas, essas sim, por ela bem conhecidas. Hoje aqueles dias são saudosos, mas não menos tristes. Engraçado como o tempo tem a capacidade de fazer o homem sentir saudade até da tristeza. Todas aquelas memórias lhe vinham agora, com força. Amar…

Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho, 
Ou darei quantas queiram: bem sabemos 
Que razões são palavras, todas nascem 
Da mansa hipocrisia que aprendemos. 

Não me peçam razões por que se entenda 
A força de maré que me enche o peito, 
Este estar mal no mundo e nesta lei: 
Não fiz a lei e o mundo não aceito. 

Não me peçam razões, ou que as desculpe, 
Deste modo de amar e destruir: 
Quando a noite é de mais é que amanhece 
A cor de primavera que há-de vir. 

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

Reflexões sobre o Manifesto do Partido Comunista

1. De que maneira, para Marx, acontecem as mudanças na história da sociedade? As mudanças acontecem pelos confrontos existentes entre as classes sociais opressoras e oprimidas, que provocam mudanças e revoluções. É a partir do momento em que o sistema produtivo de uma sociedade é questionado, que as forças opositoras colocam-se e marcha de colisão, promovendo mudanças, alterações e até revoluções.
2. Por que Marx afirma que a burguesia desempenhou um revolucionário na história? Porque foi a burguesia quem conseguiu alterar o sistema produtivo de então, predominantemente feudal, lançando as bases para o moderno capitalismo. Foi a burguesia quem destruiu, na visão de Marx, as relações feudais, patriarcais, idílicas.
3. Explique, de acordo com o texto do "Manifesto", como se caracteriza a sociedade burguesa. A sociedade burguesa caracteriza-se por ser a detentora dos meios de produção e do capital, dominando todo o processo de trabalho, desde as suas condições até o volume e ritmo d…