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Mostrando postagens de Dezembro, 2009

Uma polca para Não descansar

Caros, segue uma bela polca russa. Czardas. Segurem-se. Magistral.


Álvaro de Campos para uma alma

Segue abaixo um poema de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa). Os motivos da postagem pouco importam. Fato é que se trata de grande momento de Fernando Pessoa, expresso em linhas capazes de conturbar um alma em repouso.


Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa

Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).

Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
E' estar ao lado da escala social,
E' não ser adaptável às normas da vida,'
As normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Ju…