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Mostrando postagens de Janeiro, 2015

Um mundo autorreferente

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Amanda Machado não é uma celebridade. Na verdade, é uma garota comum com todos os sonhos e sofrimentos das garotas comuns que almejam o estrelato. Talvez seu nome jamais chegasse a nós, não tivesse ela sido duplamente vítima: primeiro, da imprudência que motoristas insistem em protagonizar, dirigindo em velocidades inaceitáveis, matando e morrendo como se a vida não valesse nada. Segundo, Amanda foi vítima de uma modernidade narcísica, autorreferente e profundamente patológica.
Estamos falando de Amanda, a moça que fez questão de fotografar-se (e com seu parceiro “Cuzidooooo” - como ela descreveu nas redes sociais o sujeito embriagado e que estava no banco do passageiro), depois, registrar em imagens a velocidade com a qual ela conduzia o veículo: 180 quilômetros por hora na BR-364, entre os municípios de Palotina e Terra Roxa, no domingo (25). Até aí, é a corriqueira cena de imprudência que nosso Código de Trânsito não consegue coibir.
Acontece que o carro de Amanda capotou. Então, …

Pela primeira vez, Cannes tem dois presidentes - os irmãos Coen

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24 anos depois da Palma de Ouro, Joel e Ethan Coen presidem ao júri da 64.ª edição do Festival de Cannes.
Do Jornal Público.PT por 
20/01/2015 - 12:35

É a primeira vez bicéfala de Cannes: Joel e Ethan Coen, ou “os irmãos Coen” como são bem conhecidos, são os presidentes do júri do festival de cinema em Maio. Os sucessores de Jane Campion estarão no Festival de Cannes 24 anos depois da sua Palma de Ouro por Barton Fink. “Presidir ao júri é uma honra especial, visto que nunca até agora fomos presidentes de nada”, dizem os Coen. “Emitiremos mais proclamações na altura apropriada”, avisam, presidenciais.
No comunicado lançado esta manhã pelo festival, sabe-se não só do agrado dos irmãos Coen pela escolha, mas também do plano de celebração dos 120 anos da invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumière na 68.ª edição de Cannes. É nesse reconhecimento do “trabalho de todos os ‘irmãos do cinema’ que, desde Louis e Auguste Lumière, enriqueceram a sua história” que se inscreve a …

Amor e morte

Segurou a pena,
correu alguns centímetros pelo papel branco.
Traçou linhas, palavras mudas.
Leu.
Releu.
Descobriu-se, então, morto!
Por todo o tempo que ali estivera a escrever sobre amor.

Eu, você, ninguém...

Não, não sei dizer o que queres ouvir;
Em palavras doces de angelical encanto.
Mas posso muito lhe contar em pranto,
De sombras humanas, e de nosso porvir.
Da carne que a túnica dourada esconde,
Mas que perdeu a vida, não se sabe quando, nem onde.

Se perguntares o que sobrou de nós,
Sabes que não falarei de amor.
Posso falar de infortúnios e dor,
Enquanto enlouqueces por estarmos sós.
Por sermos dois peitos calados,
Chagas abertas, dilacerados.

Se insistires em saber o que somos agora,
Posso buscar nossas histórias,
Remexer nossas memórias,
Dos anos passados até esta hora.
És a que não crê, sou o que não ama.
Éramos o campo em flor, hoje somos a lama.

Somos qualquer um, indiferentemente
Qualquer humano, velho, criança.
Vivendo do gotejar da esperança;
De uma verdade que nos mente.
De um passado que nos cega,
De uma morte que não chega.

Sou o que jamais construí;
És a melodia que jamais compuseste;
És a semente que não será cipreste;
Sou a certeza de que, tentando viver, em vida morri…

Vale entre nós

A lágrima crua que sentes rolar,
Nua, pelo rosto ardente;
Com gosto amargo, como a vida,
Dizia verdades, agora mente.

A gota que escorre aos lábios;
É o que restou de todo o amar.
Que importam as verdades?
As lágrimas salgadas como o mar?

Fique com o fel, que é o que lhe resta,
Que parto, por novos caminhos;
Fique com os falsos, quiçá com os amigos.
Fico com a dor, você com os espinhos.

Parto, sim, sabendo que o mundo,
E suas dores, e seu gosto amargo;
Também estarão em minha boca.
No passo cansado, mas sempre largo.

Entendo que prefiras o mundo.
Também é assim comigo.
Entre nós, um vale escuro.
Em comum, nosso único amigo.

Senta-te à margem das sombras como eu.
Vês? Ali não há vida.
Uma chaga aberta, a dor, a esperança de esperança.
É a página rasgada, depois de lida.

Salvação

Vejo-a tão triste hoje, pequena; Enfim descobriste que jamais procurei salvação em ti. Nunca quis teu amor sublime. Desejei teu corpo, e só. Como outros também o desejaram.
Tantas conversas ao pé da noite travamos, Madrugadas inteiras povoadas de Deus e anjos. Acho que tu és angelical, enfim. Mas não salvarás esta alma minha, Que ama a vida terrena, e não crê.
Mas se lhe serve esta promessa, jamais me esquecerei de ti. E, mesmo esquecendo, a sentirei para sempre. Pois a pele, infame, não esquece. Parto agora, que o mundo me espera. Não encontrarei ninguém melhor que ti. Salve-se e a alguém que creia menina. Adeus.