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Mostrando postagens de Abril, 2008

Desolação

Quis confessar meus pecados.Olhei para trás. Percebi que eles calçavam a estrada por onde andei.Continuei a caminhada, silenciosamente!E vivi a desolação de não sentir lágrima alguma escorrer!

Desabafo

... e houve então a possibilidade de fazer tudo diferente! Sentiu-se novamente dono de si. Mas, mais do que nunca, teve a certeza de que, por mais que caminhasse, aquele ranço amargo na boca lhe acompanharia por toda a vida. Ainda que pisasse em solo sagrado. Ainda que andasse em terreno maldito..........Impressionante. Sempre os sinos da primeira infância se fazem presentes nos momentos mais críticos e vêm salvar-nos. Fáusticos dias esses!
E esse ranço, esse maldito ranço...
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Poeta transgressor

Ele vinha rabiscando rapidamente páginas e páginas de caderno. Deixava versos magníficos por onde passava seu lápis, como pegadas de vida em solo maldito. Está quase concluída sua obra. É a mais bela obra jamais escrita em versos por mão humana. Trata, justamente, da mão humana, a mesma utilizada para talhar nosso destino em mármore cinza, que depois se transformará em nossa própria lápide. Era o poema da transgressão humana. Releu alguns versos. As palavras insistiam em não dizer tudo o que ele queria. Seu peito apertou-se. Sentiu o sangue subir à cabeça. Tomou um cálice de gim, e repousou, sonolenta, a mão sobre o joelho. Está quase pronto! Falta pouco! Muito pouco! Releu mais versos. Encontrou uma frase que soava estranha, como não cabendo naquele contexto. E agora? Apagá-la? Mas ele é o poeta da transgressão humana, e não é exatamente isso que a frase está fazendo, transgredindo? Suplantando a capacidade do Seu senhor em transgredir? Sim, é! Mas ela não pode continuar lá! É absurd…