Vale entre nós

A lágrima crua que sentes rolar,
Nua, pelo rosto ardente;
Com gosto amargo, como a vida,
Dizia verdades, agora mente.

A gota que escorre aos lábios;
É o que restou de todo o amar.
Que importam as verdades?
As lágrimas salgadas como o mar?

Fique com o fel, que é o que lhe resta,
Que parto, por novos caminhos;
Fique com os falsos, quiçá com os amigos.
Fico com a dor, você com os espinhos.

Parto, sim, sabendo que o mundo,
E suas dores, e seu gosto amargo;
Também estarão em minha boca.
No passo cansado, mas sempre largo.

Entendo que prefiras o mundo.
Também é assim comigo.
Entre nós, um vale escuro.
Em comum, nosso único amigo.

Senta-te à margem das sombras como eu.
Vês? Ali não há vida.
Uma chaga aberta, a dor, a esperança de esperança.
É a página rasgada, depois de lida.

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