Um terceiro mandato seria um horror?

O ótimo Ricardo Soares, do Todoprosa, fala em um post de ontem (desculpem o atraso em citá-lo) sobre Roberto Freire, a figurinha já comentada nesse blog (se fosse um impresso eu não gastaria espaço falando dele), e termina o post com algumas perguntas que merecem reflexão.
Freire brada com freqüência contra a possibilidade de permitir um terceiro mandato ao Presidente eleito Lula. Ricardo cita a Constituição antes de partir para as perguntas: a Carta Maior da nossa Democracia garante plebiscitos sobre temas relevantes. E por que não colocar em debate público a possibilidade de um terceiro mandato presidencial? Em qualquer democracia é saudável fomentar debates entre a população. A mídia nacional e políticos de diversas raízes tratam o tema como um atentado à democracia. Mas nosso regime democrático já está suficientemente consolidado para que essa decisão seja tomada pelo povo. E caso um plebiscito permita o terceiro mandato, caberá à população reeleger democraticamente Lula, ou dizer ao atual Presidente que a maioria não o quer mais quatro anos no governo. Não é golpismo como tentam fazer crer. Mas, pelo contrário, um exercício de democracia, uma demonstração de que ela está consolidada e que o povo se tornou maduro politicamente, e quer, finalmente, tomar as rédeas de seu futuro. Às favas a opinião da Mídia (que decerto apoiaria um terceiro mandato, caso o atual presidente fosse Gilmar Mendes ou Nelson Jobim). Às favas políticos oportunistas (Freire é um deles sim!).
As perguntas de Ricardo: "Sucessão não é relevante ? Ou os adversários temem a avassaladora popularidade de Lula ? Sinceramente : terceiro mandato seria mesmo um horror ? Golpismo ?". Para este blogueiro que aqui escreve as respostas são, respectivamente: "É relevante sim, Ricardo". "Os adversários estão se borrando de medo da popularidade de Lula". "Terceiro mandato não seria um horror, não. Por dois motivos: primeiro, este governo está indo bem (apesar de tudo). Segundo: um eventual terceiro mandato seria um exercício de democracia e uma nova demonstração de que o povo pode decidir por si o que quer, sem medo de ditaduras". Finalmente, Ricardo, por tudo já exposto, não, não seria golpismo.
Precisamos de mais debates como esse. E, principalmente, exercer a postura crítica ante falsos debates com conclusões embutidas em discursos que se dizem "neutros", como no caso da grande mídia. Nossa mídia não cumpre seu papel. Nosso políticos não cumprem seu papel. Apesar disso o povo se mostra mais maduro politicamente. Como seria nosso país e nossa democracia se cada um cumprisse o papel que lhe é devido?

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