A infame "Ditadura" da Folha de S. Paulo

A sábia Folha de S. Paulo resolveu entornar a cuia com o caldo da imbecilidade direto na goela. A cada dia, ganha mais visibilidade o manifesto de apoio aos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato, que, sob a ótica divina e infalível do infame panfleto do Frias, são cínicos e mentirosos:
"Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa".
Os debates se iniciaram com um editorial que utilizava um neologismo, "ditabranda", para designar a ditadura que assaltou e massacrou o Brasil entre 1964 e 1985.
Eis como os agredidos se manifestaram na edição de hoje da FSP:
Ditadura
"Em resposta aos insultos a mim dirigidos na Nota da Redação de 20 de fevereiro próximo passado ("cínico e mentiroso'), reitero meu protesto contra o editorial, que considerou brando o regime militar brasileiro, cujos agentes mataram mais de 400 pessoas e torturaram milhares de presos políticos."
FÁBIO KONDER COMPARATO , professor titular da Faculdade de Direito da USP (São Paulo, SP)

"As injúrias da Redação da Folha não me intimidam. Continuarei denunciando os crimes da ditadura, seus responsáveis civis e militares, bem como seus aliados -ontem e hoje."
MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora titular da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP)
Me parece que o termo "ditabranda" apareceu pela primeira vez em espaço de opinião da FSP em artigo de Eduardo Graeff, sociólogo e Secretário-geral da Presidênciada República na feira FHC, onde atacava a psicanalista Betty Milan, que veiculou artigo "enchendo a bola" de Marta Suplicy no mesmo espaço de opinião da FSP. Assim como o termo "Democradura". hoje, Marcelo Coelho relembra os termos (sem dar os devidos créditos, claro), em artigo no seu blog.
Segue trecho do artigo em questão, para quem não pôde lê-lo (por não ter grana para comprar o jornal ou não ser assinante do Uol - quem é, clique aqui e leia o editorial na integra):
"Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente".
Verdade seja dita: apesar de tudo, a FSP permite a manifestação de diferentes visões sociais de mundo em suas páginas de opinião. Isso é fato e é louvável, desejável, "exigível" até. Mas a mesma FSP parece escorregar de vez em quando (ao menos abertamente), mostrando o verdadeiro rosto do falso jornalismo de hoje. O artigo que fala da "ditabranda" é uma opinião do jornal, um "Editorial", portanto. Como tal, deveria tomar mais cuidado, pois é a imagem da própria instituição Folha que está em jogo, e não a cara de um articulista posta à mostra. Ou não: que ela diga o que quer dizer de fato, abertamente, assim o leitor terá a possibilidade de manter ou não o "contrato vampiresco" (segundo o próprio Frias Filho) com este jornal.
De minha parte - apesar de ver essa atitude da Folha como, no mínimo, desrespeitosa para com quem sofreu as ações dos ditadores (64-85, todos eles assassinos) - penso que atitudes como essa mostram ao leitor que deve-se ler jornal hoje com atitude crítica, não acreditando piamente em uma única palavra ali escrita, ao contrário, passando todas as informações pelo crivo da Razão.
Curioso o destino de um jornal como a Folha, cujo (ex) dono (porque morreu), Otávio Frias de Oliveira, teve coragem de colocar à frente alguém como Cláudio Abramo. Certo, Abramo caiu ante o infame regime militar, pelas unhas do então jovem Frias, e no lugar dele entrou o Boris Casói, cuja linha política dispensa apresentação.
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Sobre Gilmar Mendes e MST:

Realmente me impressiona como alguém do alto escalão da (In) Justiça brasileira é acessível. Gilmar Mendes é a personalidade política (sim, política) que mais palpita na mídia nacional. Está em todas, é só mandar que ele rebate. As ações de invasão do MST representam o alvo do momento para ele. Vejamos o que ele fará nos próximos dias, diante do "crime" (assim por ele designado) do Governo em subsidiar um grupo como o MST, "de bandidos para baixo", como nossa mídia os pinta.
Pena que ele não teve a mesma atitude ante o embaraço no Roda (meio)Viva do qual participou, sem responder à pergunta da Eliane Cantanhêde de forma minimamente descente. Que Serra e Aécio (ditadores) que nada. Gilmar Mendes para Presidente, uái!!!
Que fique claro:
1- para um governo com a aceitação do de Lula, com as diretrizes de esquerda que deveria seguir, em 6 anos de mandato era para ter feito uma reforma agrária digna desse nome. A que foi (e vem sendo) feita no Brasil, apesar de bem estruturada (diferente dos assentamentos de FHC), é ridículamente pouco, diante do que poderia ter sido feito de fato, não fosse o medo de desagradar os Poderosos (a serviço de quem a Folha está).
2- Matar jagunços de fazendeiros é crime, apesar de serem jagunços com predisposição assassina. Os crimes de assassinato devem ser investigados e os culpados punidos.
3- José Rainha Jr não está apto a comandar invasões em nome do MST, maior e mais importante movimento de esquerda da atualidade.

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