Angústia por um momento

Ela estava lá novamente. No mesmo canto em que estivera tempo atrás. Mas agora me fitava. Não como da outra vez que a vi, quando a inocência estava em meus olhos e ela não esperava ser vista. Agora eu sei. Sei quem é. Sei o que veio fazer aqui. Que frio, céus! Cadê o calor prometido? A voz, a mesma cantiga da meninice agora paira sobre mim. Ah, faz tanto tempo! Tanto tempo, quando havia calor (O que digo, sou tão jovem!). Mas agora, esse frio... ela ainda me olha. Não vejo nada nem ninguém. Somente nuvem embaçada. E ela. De onde vem tanto frio? O que estou mesmo fazendo aqui? Eu estava, ainda há pouco, em campo tão belo! Como vim parar aqui? Quem me trouxe para esse quarto? Esses lençóis sobre mim não dão conta do frio que sinto. E o tempo, cadê o tempo? Sumiu? Impossível! Como? Não, não estou com febre, estou bem, só sinto frio. Preciso de um relógio, o tempo me espera. Vou fechar meus olhos, preciso dormir. Ela que faça o que tiver de ser feito. Como já fez? E a promessa de paraíso? Por que essa luz tão azulada, tão escura? Cadê você? Onde estamos?

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