Imparciais versus Petistas

Marcelo Salles escreve um ótimo artigo sobre a opção que o jornalista faz, voluntariamente ou não, ao assumir sua postura profissional. Uma reflexão interessante, que passa longe dos cérebro-braçais da nossa incompreendida "grande imprensa".
 
Vejamos: "pode-se dizer sem medo de errar que todo jornalista abraça uma causa, tanto os que escolhem militar num partido político, ONG ou movimento social, quanto aqueles que suam a blusinha para ingressar numa das poucas corporações de mídia. A diferença é o que cada um defende", afirma Marcelo em seu artigo. Vamos dar uma olhadinha (evito o termo "espiada", por causa do maior jornalista de todos os tempos que nos deu a honra de nascer em nosso pobre Brasil, o magnífico Bial) no fórum do Comunique-se , onde tudo fica infantilmente dividido entre "Petistas" e "Imparciais".
 
Não nos enganemos: o lado de quem escolhe a postura não-reflexiva ao postar-se dentro da grande imprensa escolhe, negligentemente, a própria postura da empresa na qual trabalha, quase invariavelmente o lado da classe economicamente mais favorecida, ajudando a perpetuar o quadro de desequilíbrio social e minar a resistência de quem ousa resistir, ainda caricaturizando quem opta claramente por um lado (principalmente se a esquerda), como forma de garantir sua própria imparcialidade (inexistente).
 
O interessante do quadro de caricaturização é que, se o jornalista opta pela esquerda, ele opta automaticamente pelo lado do PT, como se a esquerda se resumisse ao Partido dos Trabalhadores. Me parece que o PT é hoje menos esquerda do que outros partidos, que fazem mais jus à cor vermelha de suas bandeiras. Mais interessante do que isso, no entanto, é o fato de que, aqueles que optaram pela postura irreflexiva, ou claramente pela direitona, não estão enquadrados em partido algum, e pior: são eles que aparecem vestidos com a camisa da imparcialidade e portadores, com honras, do título de fiéis protetores da sociedade. Ou seja: os não-pensantes ou direitistas são os protetores da sociedade e da ética jornalística, por serem, vejam só, IMPARCIAIS.
 
Acredito piamente que seja possível ter uma visão social de mundo alinhada à postura de esquerda e não pertencer a partido algum, e mais, assumir postura crítica dos atos desenvolvidos dentro do corpo social pela esquerda e pela direita sem, contudo, pender para um lado (o que não significa imparcialidade, mas objetividade, no sentido dado pelo fazer-jornalístico).
 
Segue link para o artigo do Marcelo.

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