Lixo na televisão, idiotia generalizada, sobrevivência do marxismo

Não gosto do termo "zapear" - para mim denota falta do que fazer na vida - mas era exatamente isso o que eu fazia quando me deparei com "Os dois filhos de Francisco" a cantar no nojento Big Cretinice Brazil (com Z mesmo, já que é importado). É meio senso comum ouvir falar que os artistas são a antena receptora do porvir, das tendências futuras (bem, às vezes são de fato, mas me pergunto se, nesses casos, não são eles os criadores de tendências, e não seus meros antecipadores). Pois bem, o fato mais notável da incapacidade do público de pensar  foi o pronto arreganhar de dentes, em sinal de aprovação, a uma idiotice qualquer que um dos Franciscanos, o Luciano, falou. A idiotice*, aplaudida pelo asqueroso Bial e seu séquito de imbecis (entenda-se também aqueles do outro lado da tela, os espectadores), foi da envergadura intelectual de uma ostra. Leva-nos a pensar se o artista, nesses tempos de arte-produto-ideologia, ainda consegue antecipar alguma coisa, ou só vai no vácuo da mais nova tendência que a massa segue (nada contra a massa, mas contra o artista-senso comum-idiotizado).
 
*Um dos idiotas da "Casa mais vigiada do Brasil" (aqui com S) sequer conseguiu disfarçar a cara de espanto quando o Bial disse que eles desenvolviam um espetáculo tão emocionante que os daqui de fora não conseguiam segurar lágrimas. Bem, esse ao menos se permite alguma dúvida. Já o Asqueroso...
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Mas como nem tudo nesse mundo espetacular (Debord que não me ouça) é lixo puro e simples, na Carta Maior desenvolve-se uma série de artigos que discutem o marxismo e seu papel possível no mundo atual. Como alguns dos intelectuais de esquerda tiveram a coragem de afirmar, esse "lado" do muro carece de auto-estima. Basta que a direita com suas certezas inabaláveis lhe impute algum crime, uma visão desvirtuada, um apelido abalador, ou algo que de alguma forma "mine" a imagem da visão social de mundo que ela defende, e já vão alguns esquerdistas enfiando o rabo entre as pernas e se escondendo mediocremente. Precisou o Neoliberalismo cair no lixão das ideologias falidas para a esquerda rever sua postura e pensar que TALVEZ haja alguma saída além da direitona. Intelectuais de alguma envergadura deixaram a discussão sobre marxismo e ideologia de lado porque ouviram falar que as ideologias estavam falidas com o advento da pós-modernidade.
 
Se possível, sugiro dar uma olhada lá no site da Carta Maior e ler alguma coisa sobre o assunto (de preferência tudo).
 

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