A lua, 40 anos depois

40 anos depois de o homem ter pisado nosso satélite, o jornalismo aparece com um de seus mais interessantes recursos: virar os olhos para o lado que ninguém olha

É assim: geralmente, quando um acontecimento estarrecedor torna-se público, todos passam a olhar para ele (literalmente ou não). Em teorias da comunicação, isso é chamado de Agenda Setting. No jornalismo de hoje, principalmente em casos de repercussão, acontece o mesmo, e toda a sociedade deita os olhos sobre a monotemática cobertura da imprensa. Todos ficam pasmos, olhando a mesma coisa, e ninguém olha o que se passa em volta (relativo ao evento - deixando passar questões óbvias, que desmantelariam muitas teorias conspiratórias - ou não). Alguns bons jornalistas olham para o que está em volta, olham para o chão quando todos olham para o céu. Olham para a cara do vizinho enquanto todos olham para a cara da estrela que se apresenta. E, de vez enquando, um jornalista, como Talease, por exemplo, prefere olhar para o comum, e ver o incomum ali.

É nesse ensaio fotográfico que aparece no blog do NYT, onde a face menos olhada do evento é vista. Trata-se de um ensaio de 40 anos, de David Burnett, durante a espera do lançamento da Apollo 11.

Nosso jornalismo deveria lembrar de casos como esse, quando acontecem os escândalos políticos, quebradeiras econômicas etc. O futuro, afinal, está na reportagem (e não no Twitter).

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