A política e o pré-sal: pontos a serem debatidos

Segue, caros leitores, um texto que escrevi para a revista boituvense "Outdoor Regional". É uma tentativa de, em pouco espaço, traçar os principais aspectos do pré-sal! O debate atual, já não mais dividido dicotômicamente entre Bem-Mal, segue confuso, com diversos pontos a serem "alinhavados". Opinem e complementem! Abraços.


A política e o pré-sal

Apesar de todas as confusões sobre o assunto, o modelo proposto pelo governo representa a melhor opção para a exploração do megacampo nacional

O debate em torno do pré-sal advém após a ruptura, motivada pela crise econômica global, com o modelo de estado mínimo proposto pelo neoliberalismo. No centro da questão está a Petrobrás, uma das maiores empresas do mundo, um bem-sucedido experimento estatal que escapou da onda privatista do governo Fernando Henrique Cardoso, embora 67% de suas ações preferenciais estejam em mãos privadas.

O debate sobre o pré-sal envolve os campos econômico, político e geopolítico. Especialistas concordam que o importante é garantir que as riquezas em petróleo e gás sejam revertidas em benefícios dos brasileiros, e que os métodos empregados na exploração sejam claros, públicos.

Um dos pontos altos do pré-sal será o impacto que as três fases de sua cadeia produtiva (exploração, desenvolvimento e produção) terá na tecnologia nacional, cujo desenvolvimento do setor estará nas mãos da Petrobrás, além do óbvio benefício da criação de um fundo social que acolherá os recursos do pré-sal, revertendo-os em desenvolvimento humano.

A criação da estatal Petro-sal, cuja finalidade é gerir contratos de partilha e comercialização, e a opção pelo modelo de partilha na exploração, que garante maior controle por parte do Estado, foram, segundo especialistas, ações acertadas, já que essa pode ser uma das últimas grandes reservas de petróleo descobertas no mundo.

Ressalte-se que grande parte da reserva petrolífera brasileira está por provar-se. O que se tem até o momento é a probabilidade superior a 50%, da existência de 14 bilhões de barris de óleo nos campos de Tupi, Iara e Parque das Baleias. A gigantesca reserva de mais de 100 bilhões de barris de petróleo tem apenas possibilidade superior a 10% de, de fato, existir, o que, no ramo petrolífero, é uma estimativa otimista.

O pré-sal surgiu em momento delicado, de ruptura com antigos (outros nem tanto) dogmas da economia, e mostra seu poder de explosão na área da política interna e externa. Se inicialmente encontraram a oposição sistemática por parte do PSDB e DEM, os projetos do governo petista para o pré-sal foram tomando conta da agenda pública de discussões, e ganhando a simpatia de antigos opositores.

Cabe saber até que ponto o modelo de exploração proposto pelo governo será revertido em bônus eleitoral para a candidatura petista ao governo federal, e esperar que, doravante, a política econômica seja pautada pela lógica do interesse público, e não por interesses meramente mercadológicos, especialmente em se falando de petróleo.

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