Antônio Palocci não resistiu!

Ex-homem forte do governo Dilma Rousseff, ele foi substituído no ministério mais importante pela jovem senadora Gleisi Hoffmann, que está em seu primeiro mandato.

Antônio Palocci caiu. Agora ex-homem forte do governo Dilma Rousseff, deixou o cargo de Ministro-Chefe da Casa Civil após denúncias da imprensa de que ele teria enriquecido de forma suspeita. O Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, até que tentou lhe dar uma sobrevida, engavetando as denúncias contra ele, mas as explicações pouco sólidas levaram Palocci a abdicar do cargo.

Nessa primeira crise do governo Dilma, onde a oposição, ainda desorientada, tentou fazer das denúncias de enriquecimento do ex-deputado um manancial de lodo para desestabilizar o governo federal, a Presidente mostrou sua forma de fazer política. Firme, técnica e silenciosa, colocando água onde políticos oposicionistas queriam derrubar gasolina.

Formalmente, Palocci pediu demissão. Na prática, foi demitido por Dilma, que nomeou para o cargo a senadora Gleisi Hoffmann, de boa capacidade de interlocução política e baixo “passivo político”, ao contrário de Palocci. Mas esse “baixo passivo político” pode ter um peso extraordinário nos momentos críticos. Somente com o desempenho dela se poderá afirmar se a escolha de Dilma foi ou não acertada. Hoffmann é senadora de primeiro mandato, conhece as estruturas políticas, mas entre conhecer e fazer, há um abismo que coloca a ética e os padrões morais na corda bamba.

Coordenador da campanha eleitoral de Dilma, Palocci teve, à frente da Casa Civil, sua segunda grande chance de ter vida pública nacional. A primeira ele desperdiçou ainda no governo Lula, quando, Ministro da Fazenda, violou o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Agora, seis meses e sete dias diante no posto de braço direito da maior mandatária nacional, precisou posicionar-se diante das câmeras de TV e explicar seu enriquecimento. Mas não convenceu.

Hoffmann é serena, firme e independente. Mas indiscutivelmente o Banco Central preferia Palocci. A queda do ex-Ministro desencorajou o Copom (Comitê de Política Monetária) a tomar decisões sobre a alta dos juros diferente do que previa o mercado. Considerado mais sensato e ortodoxo no tocante à economia, Palocci encorajaria o Copom a adotar uma taxa de juros mais baixa do que os 12% de então, já que fazia cinco semanas seguidas que se matinha uma expectativa de queda da inflação (somada a uma queda de 2,1% da produção industrial brasileira de abril ante março). Os juros foram aumentados em 0,25% após sua saída.

Entenda o caso - Segundo denúncias da imprensa, o ministro teria enriquecido como consultor fazendo tráfico de influência, atuado junto a órgãos públicos representando empresas privadas. Palocci afirmou que o alto faturamento de sua empresa no final de 2010 devia-se a pagamentos a prazo que clientes tiveram de liquidar de uma só vez, para que ele encerrasse suas atividades de consultor e ingressasse no governo. Mas ele coordenou a campanha de Dilma Rousseff, e a oposição tenta fazer a ligação de seu alto rendimento (cerca de R$ 20 milhões no ano passado) à arrecadação de campanha.

Texto publicado na revista Outdoor Regional de 09/06/2011

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