A Europa em transe

O velho continente deixou de ser visto como uma massa coesa e demonstra que não possui lideranças unânimes e dispostas a uma visão global

O euro, moeda oficial circulante na Europa, está diante de uma possível fratura que arrastará, para baixo, toda a economia global. Os líderes de diversos países daquele continente tem se mostrado incapazes de controlar a situação que acomete, em especial, Grécia, Portugal e Irlanda. As medidas preconizadas pelas principais figuras políticas europeias se mostram menos duras do que o necessário para resgatar a estabilidade econômica da moeda. Com isso, já perceberam as lideranças americanas, em especial estadunidenses, todo o mundo sofrerá drásticas consequências.

Nenhum país europeu sozinho tem condições de financiar os países devedores, de forma que eles voltem a crescer. Somente o conjunto da Europa pode. Cientistas políticos concordam, contudo, que falta a unidade necessária ao conjunto de países para que isso ocorra. “Não há líderes europeus, apenas uma chanceler alemã, um presidente francês, um primeiro-ministro italiano e outros que professam uma visão continental mas nunca olham muito para além dos seus interesses políticos locais”, chegou a defender em editorial o jornal americano The New York Times, em crítica à absoluta ausência de lideranças unânimes europeias.

As medidas necessárias para retirar do poço os países endividados seriam reestruturar as dívidas excessivas, recapitalizar os bancos atingidos e relaxar a austeridade (rigor de controle de gastos), para que os países devedores voltem a crescer para ter solvência (ter o ativo – patrimônio – maior do que o passivo, ou seja, capacidade de pagar suas dívidas). A UE, no entanto, parece distante de conseguir esse feito. E essa demora pode tornar irreversível uma cena de declínio econômico global.

Para contar com apoio, os países endividados – leia-se em especial Portugal e Grécia – se comprometeram a realizar a redução do défcit e da dívida, imposta pela UE e FMI. Os bancos alemães e franceses se comprometeram a prolongar o prazo de pagamento da dívida contraída pela Grécia, enquanto os papéis da dívida externa portuguesa foram cotados na faixa de “junk”, ou seja, lixo.

Portugal e Grécia colhem, hoje, os frutos podres que sobraram da feira do “salve-se quem puder” de 2008-2009. Com economias pouco competitivas, má gestão e gastos públicos elevados, os dois estão em uma condição de quase incapacidade de retirar suas contas do vermelho.

Origens - A crise econômica global, que atingiu seu auge em setembro de 2008, agravou os problemas de diversos países da União Européia, em especial os Pigs (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha – Spain, em inglês), cuja capacidade de honrar dívidas já estava combalida. Para diminuir os impactos da crise, alguns países precisaram ajudar com pacotes bilionários os seus mercados internos. Isso diminuiu a arrecadação desses países e eles ficaram mais endividados.

Texto publicado na revista Outdoor Regional de 06/07/2011

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