O que esperar de Dilma?

O governo de Dilma Rousseff deve seguir a coerência na linha econômica que os três governos anteriores. Sem revoluções, por mais quatro anos...

Partir da tese de que um eventual governo de José Serra seria diferente de um segundo mandato do Presidente Lula ou o que será o primeiro mandato de Dilma Rousseff na Presidência da República parece um equívoco. O motivo é que tanto Lula, quanto Serra e Dilma seguem uma linha de ação responsável, que os afasta dos extremos.

A despeito da distância que a grande mídia quis impor, ou o marketing político de Dilma e Serra tentaram criar entre um e outro candidato, a linha de ação de ambos é muito próxima: um grande racionalismo balizado pelo pragmatismo econômico. Ora, é exatamente a linha pragmática que deve direcionar as ações de Dilma Rousseff em seu primeiro cargo eletivo, o mais alto do país.

As demonstrações de que a linha econômica coerente que nasceu com Itamar Franco, se fortaleceu com Fernando Henrique Cardoso, e ganhou novo fôlego com Luiz Inácio Lula da Silva, permitem antever um governo “Dilma” seguindo a mesma linha, talvez cedendo mais que seu antecessor em alguns quesitos ligados aos grupos da esquerda tradicional, mas sem grandes “sustos”.

A perspectiva de uma reforma agrária digna desse nome, como pedia a sociedade no governo João Goulart (1961-64), deve ser abandonada. Assim como a ideia de uma mudança brusca nos rumos da economia com, entre outras ações, taxar as grandes fortunas e barrar o capital estrangeiro. Sonhos mais “revolucionários”, a despeito do berço ideológico da presidente petista, não passam de meros vislumbres sem sentido. Isso devido à coerência e principalmente ao amadurecimento da visão econômica da esquerda situacionista.

Quer seja Dilma, quer fosse Serra, os rumos da economia, que conformam a evolução material e até artística da sociedade, serão seguidos como traçados hoje: coerência e articulação entre a ação da iniciativa privada e do aparelho estatal, fortalecendo o mercado interno. Por outro lado, forte compromisso com as ações e programas sociais, demagogicamente taxados de “paternalistas” pela direita nacional.

O que deve sobressair no futuro governo é uma atenção maior para a produção de tecnologia no país. Esse componente, que não tem sido devidamente observado pelos governos anteriores, é fundamental para o desenvolvimento da economia nacional, mas carece de investimento governamental e incentivo da iniciativa privada. Dilma sabe disso, assim como Serra. Veremos.

Texto publicado na revista Outdoor Regional de 12/07/2010

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