Mensalão: julgamento do século?


O mais conhecido caso de corrupção praticada no Brasil vem sendo julgado com mão de ferro. O problema são todos os outros, esquecidos pela conveniência politica.

     
     Tudo começou no distante 18 de maio de 2005, primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores. O governo federal vinha promovendo, desde 2002, importantes mudanças na estrutura econômica e política do País. O antecessor de Lula, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, deixara a presidência da República sob poucos aplausos e largas vais.

O começo
    O que ninguém imaginava, até então, é que as mudanças conseguidas pelo PT carregavam, consigo, uma doença contagiosa, perigosa e que estava entranhada no DNA político do País desde sempre: a corrupção. Foi em 18 de maio de 2005 que a revista Veja divulgou com exclusividade o primeiro ato dessa ópera odiosa, que se arrasta até hoje: tratava-se de um vídeo do ex-funcionário dos Correios, Maurício Marinho, ligado ao então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), negociando propinas com empresas interessadas em participar de uma licitação do governo.
Joaquim Barbosa vem enfrentando uma pressão ímpar no julgamento de um caso, o maior da história recente do STF. Seu nome é, hoje, um dos mais conhecidos pelo povo brasileiro
      Mas foi em 6 de junho de 2005 que Jefferson denunciou, à Folha de São Paulo, o esquema de pagamento de mesadas no valor de R$ 30 mil pela cúpula petista para congressistas aliados votarem a favor de projetos de interesse do governo. Abre-se a CPI dos Correios, e o Ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu, renuncia, sob a acusação de ser o comandante do esquema. A maior crise do governo Lula tinha início.

CPI dos Correios
     Em 14 de Setembro, o delator do Mensalão, Roberto Jefferson, é cassado e perde seus direitos políticos até 2015. O mesmo aconteceu com José Dirceu em 1 de dezembro. Lula que negava conhecer o esquema e dizia-se traído.
     Em 23 de março de 2006, começa na Câmara a absolvição da maioria dos acusados de envolviento no esquema de corrupção conhecido como Mensalão. Apenas Roberto Jefferson, José Dirceu e Pedro Corrêa haviam sido cassados.

A denúncia
    Após longa coleta de dados, documentos, depoimentos e informações, o então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, apresenta ao Superior Tribunal Federal sua denúncia contra 40 pessoas envolvidas no Mensalão.

   Em 9 de maio de 2012, o Ministro relator do caso, Joaquim Barbosa, torna público seu relatório sobre o processo. Em 10 de outubro, o STF condenou oito réus no ítem do processo que trata das acusações de corrupção ativa, entre eles o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (por 8 votos a 2), o ex-presidente do PT José Genoino (9 a 1) e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares (10 a 0). Dirceu é apontado pela Procuradoria-Geral da República como o "chefe da quadrilha" do mensalão.

A esperança
   Joaquim Barbosa vem enfrentando uma pressão ímpar no julgamento de um caso, o maior da história recente do STF. Seu nome é, hoje, um dos mais conhecidos pelo povo brasileiro, que o tem retratado, juntamente com a imprensa, como um verdadeiro vingador de histórias em quadrinhos, a esperança de um Brasil sem corrupção, mais justo e digno. Cogitam seu nome para Presidente da República. E ele tem méritos para isso.

Será?
     Dizem que o Brasil vive um novo momento, em que os culpados serão punidos. Mas não se fala mais da CPI do Cachoeira, praticamente morta. E brotam outras questões que não são muito lembradas pelo povo. São elas: o Mensalão tucano de Minas Gerais, berço onde nasceu o modelo apropriado pelo PT; a suposta compra de votos do Congresso para a reeleição de FHC; a suposta troca de favores nas privatizações do governo FHC entre os beneficiários das privatizações e membros do governo, dentre os quais o tucano José Serra; o suposto envolvimento do banqueiro Daniel Dantas com o esquema de financiamento do Mensalão, dentre outros casos, como a CPI do Banestado, que lavantou dados sobre crimes jamais investigados.
     Se o Brasil vive de fato um novo tempo, é de se esperar que essas questões sejam levantadas em breve. Caso contrário, estaremos vivendo apenas mais um história em quadrinhos, tão comum do nosso país.

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