Hegel a a autolibertação

Hegel demonstrou o paradoxo entre o discurso da liberdade, presente no Iluminismo, e a prática da escravidão, que movimentou a economia de diversas nações ocidentais. A expansão da economia escrava levava, contraditoriamente, à expansão dos limites do discurso sobre a liberdade.

Hegel mostrou a dialética do senhor e do escravo: enquanto o senhor possui superabundância, e aparentemente sua essência é viver para si, o escravo possui carências, e sua essência, aparentemente, é viver em função de outro. Na verdade, o quadro é de profunda dependência do senhor em relação ao escravo, que é o criador da sua superabundância e, nem objeto nem coisa, é o sujeito transformador da natureza material.

Hegel defendia que a libertação do escravo não poderia ser uma “imposição” a ele, que escolheu a vida à liberdade, mas uma autolibertação, que o levaria a uma autoconsciência independente: sou livre no momento em que eu quiser, quando tomo consciência da minha liberdade. A liberdade de minha vontade constitui minha personalidade.

A consciência de liberdade permite que o indivíduo se torne livre, não apenas em pensamento, mas no mundo. Entretanto, ele depende do seu próprio amadurecimento para atingir essa liberdade, que seria a essência da humanidade. Hegel concebe, assim, a liberdade como autolibertação, que se manifesta em todos os estados de desenvolvimento da ideia, incluindo a história.

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